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Unicef: 13,5 milhões de crianças sem vacina no 1° ano de vida

ResumoRelatório do Unicef de julho de 2026 revela que 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida. O índice de crianças zero-dose mantém-se em patamar alto, próximo ao registrado em 2009, elevando o risco de surtos de doenças evitáveis.

Relatório do Unicef divulgado em julho de 2026 revela que 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida. O índice de crianças zero-dose, como são chamadas, mantém-se em patamar considerado alto, próximo ao de 2009, aumentando o ris

Escrito por Sofia Marinho · Atualizado em 19 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico Método Fit 30Equipe médica revisora

Resumo rápido

  • Relatório do Unicef divulgado em julho de 2026 revela que 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida.
  • O índice de crianças zero-dose, como são chamadas, mantém-se em patamar considerado alto, próximo ao de 2009, aumentando o ris
Unicef: 13,5 milhões de crianças sem vacina no 1° ano de vida

Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

Cerca de 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida em 2025, de acordo com dados governamentais compilados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e divulgados nesta quarta-feira (15). O número representa 15% dos bebês nascidos no período, que o estudo classifica como crianças zero-dose. Outras 7,3 milhões não tiveram o ciclo básico completo, que inclui três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP).

O relatório Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional aponta que 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP em 2025, 750 mil a mais do que em 2024. Apesar do avanço, o Unicef alerta que a manutenção do índice de crianças zero-dose é considerada alta e está em patamar próximo ao observado em 2009, abaixo do período anterior à pandemia de Covid-19.

Por que 13,5 milhões de crianças ficam sem vacina?

O abandono do ciclo de imunização ocorre principalmente antes da primeira dose contra o sarampo (MCV1). Enquanto 84% das crianças recebem a primeira dose, apenas 77% tomam a segunda (MCV2). O limite considerado seguro para imunização contra o sarampo é de 95%, mas em 2025 foram registrados mais de 411 mil casos da doença em surtos que atingiram 57 países.

Quais os riscos para crianças não vacinadas?

A manutenção de altos índices de crianças zero-dose aumenta o risco de surtos de doenças evitáveis, como sarampo, difteria e coqueluche. O Unicef destaca que mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais abriguem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. "Nesses cenários, os programas de imunização frequentemente enfrentam desafios relacionados à instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico", detalha o levantamento.

Cenário global da cobertura vacinal

Dos 195 países que enviaram dados ao Unicef, 100 mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da DTP desde 2019, mas com pouco progresso na ampliação desse grupo. Entre os países que estavam abaixo desse patamar, 30 conseguiram melhorar as taxas nos últimos seis anos, enquanto 65 permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis ou afetados por conflitos.

"Governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a forte queda observada durante a pandemia de Covid-19. Milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza", afirma em nota Catherine Russell, diretora executiva do Unicef.

Queda em países de renda média e alta

Outro desafio é a diminuição da cobertura em países de renda média e alta, causada por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal. Dois exemplos destacados foram a África do Sul, onde o índice da DTP1 caiu 20 pontos percentuais desde 2019, e a Bósnia e Herzegovina, com queda de 23 pontos percentuais no último ano, após registrar o maior aumento da cobertura da MCV1 da região em 2024.

Como está o Brasil na vacinação infantil?

O Brasil segue na contramão desses países, com melhora constante da cobertura vacinal e redução do número de crianças zero-dose, hoje estimadas em 50 mil. Das principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice (DTP-3) mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%. Os dados nacionais, porém, são alvo de uma crítica específica: a ausência de levantamento independente sobre o tema nos últimos 5 anos, ação recomendada pela OMS e pelo Unicef para garantir a qualidade dos dados.

O que ameaça o progresso da vacinação?

O estudo informa que as bases que possibilitaram o progresso estão sob forte pressão, com recentes cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas neste ciclo, em comparação com 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019.

"Os níveis históricos de imunização observados nos países de menor renda mostram o que pode ser alcançado quando todas as partes trabalham juntas em torno de um objetivo comum", afirmou Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da Organização Mundial de Saúde. Segundo ela, o grande desafio será manter esse impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes.

Perguntas Frequentes

O que significa criança zero-dose?

Criança zero-dose é aquela que não recebeu nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, segundo a classificação do Unicef.

Quantas crianças não completaram o ciclo básico de vacinas?

Além das 13,5 milhões de crianças zero-dose, outras 7,3 milhões não tiveram o ciclo básico completo de três doses da DTP.

Qual a cobertura vacinal contra o sarampo?

84% das crianças recebem a primeira dose (MCV1) e 77% a segunda (MCV2), abaixo do limite seguro de 95%.

Quantos casos de sarampo foram registrados em 2025?

Foram mais de 411 mil casos de sarampo em surtos que atingiram 57 países.

O Brasil melhorou a cobertura vacinal?

Sim, o Brasil reduziu o número de crianças zero-dose para 50 mil, mas a cobertura da DTP-3 ainda está em 86%.

Por que a cobertura vacinal cai em países de renda média?

Por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal, como ocorreu na África do Sul e na Bósnia e Herzegovina.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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