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Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

ResumoUnicef revelou que 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida em 2025. O número corresponde a 15% dos bebês globais. A falta de imunização aumenta o risco de surtos de doenças evitáveis, como sarampo e coqueluche.

Em 2025, 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida, segundo o Unicef. O número representa 15% dos bebês globais e acende alerta para risco de surtos de doenças evitáveis, como sarampo e coqueluche.

Escrito por Sofia Marinho · Atualizado em 20 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico Método Fit 30Equipe médica revisora

Resumo rápido

  • Em 2025, 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida, segundo o Unicef.
  • O número representa 15% dos bebês globais e acende alerta para risco de surtos de doenças evitáveis, como sarampo e coqueluche.
Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

Em 2025, 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida, segundo dados compilados pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) e divulgados nesta quarta-feira (15). O número representa 15% dos bebês em todo o planeta. Outras 7,3 milhões de crianças não completaram o ciclo básico de três doses da vacina que protege contra difteria, tétano e coqueluche (DTP).

Cobertura vacinal global: avanço lento, mas ainda insuficiente

O estudo Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional mostra que, no ano passado, 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP. Esse número representa 750 mil a mais do que em 2024. Apesar do avanço, o Unicef alerta que a manutenção do índice de crianças zero-dose, próximo ao observado em 2009 e abaixo do período anterior à pandemia de Covid-19, é considerada alta e aumenta o risco de surtos de doenças.

O abandono do ciclo de imunização ocorre principalmente antes da primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1). Dados do relatório indicam que 84% das crianças recebem a primeira dose, enquanto apenas 77% tomam a segunda dose (MCV2). O limite considerado seguro para imunização contra o sarampo é de 95%. Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos de sarampo no mundo, em surtos que atingiram 57 países.

Desigualdade entre países: conflitos e pobreza como barreiras

Os dados compilados pelo Unicef foram enviados pelos governos de 195 países. Desses, 100 mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da vacina DTP desde 2019, mas apresentaram pouco progresso na ampliação desse grupo. Entre os países que estavam abaixo desse patamar em 2019, 30 conseguiram melhorar as taxas nos últimos seis anos. No entanto, 65 países permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade.

Catherine Russell, diretora executiva do Unicef, afirmou em nota: "Governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a forte queda observada durante a pandemia de Covid-19. Milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza."

Mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais abriguem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. O relatório aponta que, nesses cenários, os programas de imunização enfrentam desafios como instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico.

Países de renda média e alta também enfrentam queda

Outro desafio identificado é a diminuição da cobertura em países de renda média e alta, causada por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal. Dois exemplos destacados foram o da cobertura da DTP1. Na África do Sul, o índice caiu 20 pontos percentuais desde 2019 e continuou diminuindo em 2025. Na Bósnia e Herzegovina, apresentou queda de 23 pontos percentuais no último ano, após registrar o maior aumento da cobertura da MCV1 da região em 2024. Ambos estão em regiões estáveis e apresentam melhora sustentada de outros índices de acesso à saúde.

Brasil na contramão: melhora constante e redução de crianças zero-dose

O Brasil tem seguido trajetória oposta, com melhora da cobertura vacinal constante e redução do número de crianças zero-dose. Atualmente, estima-se que 50 mil crianças no país se enquadram nessa categoria. Das principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice (DTP-3) mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%. Os dados nacionais, porém, são alvo de uma crítica específica: a ausência de levantamento independente sobre o tema nos últimos 5 anos, ação recomendada pela OMS e pela Unicef para garantir a qualidade dos dados.

Financiamento e monitoramento sob pressão

Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da Organização Mundial de Saúde, afirmou que "os níveis históricos de imunização observados nos países de menor renda mostram o que pode ser alcançado quando todas as partes trabalham juntas em torno de um objetivo comum". Segundo ela, o grande desafio será manter esse impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes.

O estudo informa que as bases que possibilitaram esse progresso estão sob forte pressão, com recentes cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas neste ciclo, em comparação com 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019.

Perguntas Frequentes

O que significa "criança zero-dose"?

Criança zero-dose é aquela que não recebeu nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, segundo a definição do Unicef.

Quantas crianças não completaram o ciclo básico de vacinação em 2025?

Além das 13,5 milhões zero-dose, outras 7,3 milhões de crianças não tiveram o ciclo básico completo de três doses da DTP.

Qual a cobertura vacinal contra o sarampo no mundo?

84% das crianças recebem a primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1), e apenas 77% tomam a segunda dose (MCV2). O limite seguro é de 95%.

Como está a situação do Brasil na vacinação infantil?

O Brasil reduziu o número de crianças zero-dose para cerca de 50 mil, com melhora constante da cobertura. A exceção é a DTP-3, que mantém cobertura de 86%.

Por que a cobertura vacinal cai em alguns países de renda média e alta?

A queda ocorre por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal, segundo o relatório do Unicef.

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Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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