Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida
O Unicef alerta que 13,5 milhões de crianças no mundo não recebem nenhuma vacina no primeiro ano de vida. O dado revela uma crise de imunização que ameaça décadas de progresso. Entenda as causas, os países mais afetados e as estratégias para reverter esse quadro.
Resumo rápido
- O Unicef alerta que 13,5 milhões de crianças no mundo não recebem nenhuma vacina no primeiro ano de vida.
- O dado revela uma crise de imunização que ameaça décadas de progresso.
- Entenda as causas, os países mais afetados e as estratégias para reverter esse quadro.
Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não recebem nenhuma vacina no primeiro ano de vida. Isso significa que 1 em cada 5 crianças está desprotegida contra doenças preveníveis, como sarampo, poliomielite e difteria. O alerta é baseado em dados de 2023 e aponta retrocessos na imunização global.
O que significa o dado de 13,5 milhões de crianças sem vacina
Segundo o Unicef, o número representa crianças que não recebem nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, nem mesmo a primeira dose da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) ou da vacina contra a poliomielite. Em termos práticos, esse contingente equivale à população de países como Bélgica ou Bolívia.
O dado faz parte do relatório "Estado Mundial da Infância 2024", que analisa a cobertura vacinal global. O documento aponta que, apesar de avanços em algumas regiões, a pandemia de Covid-19 interrompeu cadeias de imunização e criou lacunas que ainda não foram totalmente recuperadas.
Causas da queda na cobertura vacinal infantil
A queda na cobertura vacinal tem múltiplas causas, de acordo com o Unicef e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os principais fatores estão:
- Conflitos armados: países como Afeganistão, Iêmen e Ucrânia enfrentam dificuldades logísticas para manter campanhas de vacinação.
- Pobreza e desigualdade: em regiões como África Subsaariana e sul da Ásia, o acesso a serviços básicos de saúde é limitado.
- Desinformação: a hesitação vacinal, alimentada por fake news, cresceu durante a pandemia.
- Sistemas de saúde frágeis: muitos países não têm infraestrutura para armazenar e distribuir vacinas, especialmente em áreas rurais.
O Brasil, por exemplo, registrou queda na cobertura vacinal infantil nos últimos anos. Dados do Ministério da Saúde mostram que a meta de 95% de cobertura para a vacina BCG não foi atingida em 2023 cobertura vacinal Brasil 2023.
Consequências da falta de vacinação no primeiro ano de vida
Crianças não vacinadas no primeiro ano de vida ficam expostas a doenças que podem ser fatais. A OMS estima que 2 a 3 milhões de mortes por ano são evitadas pela vacinação. Sem ela, o risco de surtos de sarampo, coqueluche e difteria aumenta.
O sarampo, por exemplo, teve um aumento de 79% nos casos globais em 2023 comparado a 2022 (OMS, 2024). A doença é altamente contagiosa e pode causar complicações graves, como pneumonia e encefalite.
Além do impacto na saúde, a baixa cobertura vacinal sobrecarrega sistemas de saúde e gera custos econômicos. Um estudo do Unicef estima que cada dólar investido em vacinação retorna até 44 dólares em benefícios econômicos ao longo da vida.
Países com maior número de crianças não vacinadas
O relatório do Unicef aponta que 10 países concentram mais de 60% das crianças não vacinadas no mundo. São eles:
- Índia
- Nigéria
- Etiópia
- Indonésia
- Filipinas
- República Democrática do Congo
- Paquistão
- Brasil
- Angola
- México
No Brasil, o número de crianças não vacinadas no primeiro ano de vida é estimado em cerca de 300 mil, segundo o Unicef. O país enfrenta desafios como a desigualdade regional e a desinformação.
Estratégias para reverter o cenário
O Unicef e a OMS recomendam ações coordenadas para recuperar a cobertura vacinal:
- Fortalecimento dos sistemas de saúde: investimento em infraestrutura, logística e treinamento de profissionais.
- Campanhas de conscientização: combate à desinformação com informações baseadas em evidências.
- Vacinação em escolas: parcerias com instituições de ensino para alcançar crianças fora do sistema de saúde.
- Integração com outros serviços: oferta de vacinas em campanhas de nutrição e saúde materno-infantil.
O Brasil lançou em 2023 o Movimento Nacional pela Vacinação, que busca retomar as metas de cobertura. A iniciativa inclui a atualização do calendário vacinal e a busca ativa de crianças não vacinadas.
O papel da sociedade na imunização infantil
A vacinação infantil depende não apenas de governos, mas também de famílias e comunidades. Pais e responsáveis devem manter a caderneta de vacinação atualizada e buscar informações em fontes confiáveis, como o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria.
Profissionais de saúde têm um papel crucial: orientar sobre a importância das vacinas e esclarecer dúvidas. A confiança na ciência é a base para reverter o quadro de 13,5 milhões de crianças desprotegidas.
Perguntas Frequentes
Por que tantas crianças não recebem vacinas no primeiro ano de vida?
As principais causas são conflitos armados, pobreza, sistemas de saúde frágeis e desinformação. A pandemia de Covid-19 agravou o problema ao interromper campanhas de vacinação.
Quais são as vacinas obrigatórias no primeiro ano de vida?
No Brasil, o calendário vacinal inclui BCG, hepatite B, pentavalente, VIP (poliomielite), pneumocócica 10, rotavírus e meningocócica C, entre outras.
O Brasil está entre os países com mais crianças não vacinadas?
Sim, o Brasil aparece na lista dos 10 países com maior número de crianças não vacinadas no primeiro ano de vida, com cerca de 300 mil crianças nessa situação.
Como a desinformação afeta a vacinação infantil?
A desinformação, especialmente sobre efeitos colaterais falsos, gera hesitação vacinal. Campanhas de conscientização são essenciais para combater esse fenômeno.
O que o Unicef recomenda para reverter a queda na cobertura vacinal?
O Unicef recomenda fortalecer sistemas de saúde, promover campanhas de vacinação em escolas, integrar a imunização a outros serviços e combater a desinformação com dados científicos.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.