SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV na Fiocruz
A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal antiretroviral do HIV distribuído pelo SUS. Mais de 770 mil pessoas usam o medicamento, mas a liberação da Anvisa ainda é necessária para o início do fornecimento.
Resumo rápido
- A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal antiretroviral do HIV distribuído pelo SUS.
- Mais de 770 mil pessoas usam o medicamento, mas a liberação da Anvisa ainda é necessária para o início do fornecimento.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, o principal antiretroviral usado no tratamento do HIV no Brasil, distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio, feito em julho de 2026, representa um marco na política de assistência farmacêutica, mas o processo ainda depende de uma liberação regulatória.
Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV no país fazem uso do medicamento, que age inibindo a enzima integrase, impedindo a replicação do vírus dentro das células de defesa. Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o dolutegravir como opção preferencial para tratamento de primeira e segunda linha em todas as populações, incluindo mulheres grávidas.
A rota da transferência de tecnologia
O medicamento foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa de pesquisa para prevenção e tratamento do HIV pertencente à biofarmacêutica GSK. Em 2020, ambas assinaram um contrato com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fiocruz para nacionalizar progressivamente a produção do remédio e distribuí-lo ao SUS.
Desde então, Farmanguinhos vem realizando investimentos para adaptar sua planta fabril, adquirir novos equipamentos, capacitar seus profissionais e promover estruturação técnica, regulatória e operacional. O processo acaba de ser concluído, mas o início do fornecimento ao SUS depende apenas da liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O gargalo regulatório
Três lotes do remédio já foram fabricados e validados pelo instituto e poderão ser distribuídos para o SUS assim que a liberação da Anvisa for expedida. Enquanto isso, o instituto trabalha na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo. A ausência de uma data para a liberação da agência reguladora é o principal fator de risco para o cronograma.
Produção escalonada e números do fornecimento
Desde 2022, o instituto da Fiocruz já faz a distribuição para o SUS dos remédios produzidos em fábricas da GSK. Mais de 739 milhões de cápsulas já foram fornecidas para a saúde pública desta forma. Em 2025, Farmanguinhos também assumiu as análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento.
O acordo de transferência de tecnologia inclui mais uma etapa: a internalização da produção do dolutegravir em combinação com outra substância, a lamivudina. Esse formato também é distribuído pelo SUS. A expectativa é que essa produção comece a ser feita por Farmanguinhos no ano que vem.
Eficácia e segurança do dolutegravir
Além de ser altamente eficaz, reduzindo a carga viral a níveis indetectáveis, o dolutegravir melhora a imunidade e impede a progressão para a AIDS, com poucos efeitos colaterais. A recomendação da OMS desde 2019 como opção preferencial para todas as populações reforça seu perfil de segurança.
Perguntas Frequentes
O que é o dolutegravir?
É um antiretroviral inibidor da integrase, usado como principal medicamento no tratamento do HIV no Brasil.
Quantas pessoas usam o dolutegravir no SUS?
Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento no país.
Quando o remédio começará a ser produzido pela Fiocruz?
Três lotes já foram validados, mas o fornecimento depende da liberação da Anvisa.
O que é a lamivudina?
É outra substância que, combinada ao dolutegravir, também será produzida por Farmanguinhos, com previsão para o ano que vem.
Qual a vantagem da produção nacional?
Reduz a dependência de importação e garante a distribuição gratuita pelo SUS, com economia de recursos públicos.
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Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.