Rotina ideal de consultas para cuidar da visão
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia lançou documento que orienta a periodicidade das consultas oftalmológicas conforme idade e comorbidades. O acompanhamento começa na maternidade e segue por toda a vida.
Resumo rápido
- O Conselho Brasileiro de Oftalmologia lançou documento que orienta a periodicidade das consultas oftalmológicas conforme idade e comorbidades.
- O acompanhamento começa na maternidade e segue por toda a vida.
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) lançou nesta quinta-feira (10) um documento que orienta a periodicidade ideal das consultas oftalmológicas. O material foi divulgado durante o 70º Congresso da especialidade, que ocorre até sábado (12), em Salvador.
A consulta oftalmológica deve ser realizada com periodicidade adequada à faixa etária e à presença de comorbidades. Os intervalos recomendados no documento são parâmetros mínimos de referência para pessoas sem doença ocular diagnosticada e sem fatores de risco. O exame é capaz de identificar doenças que evoluem silenciosamente e que, uma vez instaladas, provocam perda visual irreversível.
Em nota, a entidade avaliou que o documento confirma para pacientes, familiares e médicos de outras especialidades a necessidade da consulta periódica como cuidado essencial. "Somente por meio desse encontro se torna possível fazer o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno de doenças que acometem a visão", completou o CBO.
Quando o acompanhamento precisa ser mais frequente
Diante de diagnóstico de doença crônica, histórico familiar de doenças oculares ou exposições a circunstâncias específicas, o documento estabelece a necessidade de intensificar o acompanhamento. Cabe ao médico oftalmologista definir se os intervalos entre as consultas devem ser reduzidos, a partir da avaliação individual de cada paciente.
O diabetes aparece como exemplo de condição que exige atenção especial e pode alterar a rotina de retornos. Nesses casos, o intervalo deixa de seguir o parâmetro geral e passa a ser definido caso a caso.
O cuidado começa na maternidade
O documento defende que o acompanhamento oftalmológico tenha início ainda na maternidade. O teste do reflexo vermelho, realizado no berçário, detecta catarata e glaucoma congênitos, opacidades de córnea, tumores intraoculares, inflamações importantes e hemorragias intravítreas.
Nos primeiros anos de vida, a avaliação dos marcos do desenvolvimento visual, da fixação e do alinhamento ocular integra a rotina de cuidados. Os erros de refração não corrigidos são a principal causa de deficiência visual entre as crianças brasileiras, com impacto no rendimento escolar e na socialização.
A ambliopia, conhecida como olho preguiçoso, pode ser prevenida pelo exame oftalmológico realizado até os 3 anos. Dados internacionais apontam que 40% das crianças cegas poderiam ter essa consequência evitada ou tratada se tivessem acesso a um oftalmologista no tempo certo.
Estrutura e causas evitáveis
O conselho alerta que consultas, exames de diagnóstico e outros procedimentos oftalmológicos devem ocorrer em consultórios, postos de saúde e hospitais que atendam às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quanto à estrutura física, equipamentos e condições sanitárias.
A maior parte das causas de cegueira e de deficiência visual, segundo o documento, é evitável e tratável quando identificada precocemente. Dados internacionais compilados pelo CBO indicam que a maioria dos casos de baixa visão no mundo é reversível, sobretudo catarata e erros refracionais (miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia).
No Brasil, o CBO estima cerca de 1,5 milhão de pessoas cegas, contingente que tende a crescer com o envelhecimento da população. As quatro maiores causas de cegueira no país (catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular) acometem idosos.
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Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.