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Álcool e cigarro podem causar cegueira, alertam especialistas

ResumoO Conselho Brasileiro de Oftalmologia alerta que o consumo crônico de álcool e cigarro pode causar cegueira ao comprometer a produção de energia das células da visão. A perda visual é lenta, indolor e afeta os dois olhos simultaneamente, o que retarda a percepção do paciente e o diagnóstico precoce.

Conselho Brasileiro de Oftalmologia alerta que o uso crônico de álcool e tabaco pode colapsar a produção de energia das células da visão. A perda é lenta, indolor e atinge os dois olhos ao mesmo tempo, o que atrasa a percepção do paciente.

Escrito por Sofia Marinho · Atualizado em 14 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico Método Fit 30Equipe médica revisora

Resumo rápido

  • Conselho Brasileiro de Oftalmologia alerta que o uso crônico de álcool e tabaco pode colapsar a produção de energia das células da visão.
  • A perda é lenta, indolor e atinge os dois olhos ao mesmo tempo, o que atrasa a percepção do paciente.
Álcool e cigarro podem causar cegueira, alertam especialistas

O consumo crônico de álcool e de tabaco pode provocar um colapso na produção de energia das células responsáveis pela visão. O resultado são danos graves e, em alguns casos, cegueira. O alerta é do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e integra um panorama inédito sobre a neuro-oftalmologia, subespecialidade que une oftalmologia e neurologia para diagnosticar e tratar problemas visuais causados por doenças no sistema nervoso.

A perda visual nas neuropatias ópticas tóxicas e carenciais, como no uso crônico do álcool e do tabaco, é lenta, indolor e atinge os dois olhos ao mesmo tempo. Quem é acometido relata um borrão no campo central da visão, enquanto a visão periférica segue preservada. As cores também desbotam, e o vermelho assume um aspecto de rosa lavado.

Como a neuro-oftalmologia enxerga o que o olho revela

Segundo o CBO, o olho é a única parte do corpo humano que permite ao médico ver, sem instrumentos ou procedimentos invasivos, o que se passa no sistema nervoso central. O canal que torna isso possível é o nervo óptico, uma extensão direta do cérebro. Por isso, uma queixa visual pode ser o primeiro sinal de doenças neurológicas importantes e potencialmente tratáveis.

A publicação Neuro-Oftalmologia, lançada durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Salvador, trata desde a base anatômica até as doenças mais complexas da área, além de avanços tecnológicos para diagnóstico e tratamento. O trabalho foi organizado pelos oftalmologistas Eric Pinheiro de Andrade, Leonardo Provetti Cunha e Mário Luiz Monteiro.

Metanol: quando o risco é agudo e a perda pode ser irreversível

No caso do metanol, a ingestão normalmente ocorre por meio de bebidas adulteradas. A substância provoca consequências por onde passa, no trajeto que liga a retina ao córtex cerebral, levando ao adoecimento e à perda de visão. Os sintomas costumam se manifestar entre seis e 24 horas após o consumo e incluem visão turva, fotofobia, pupilas dilatadas e perda de visão de cores. O quadro pode evoluir para cegueira irreversível, convulsões e coma.

O exame mais poderoso e subestimado da neuro-oftalmologia, de acordo com a entidade, é a anamnese: uma conversa simples entre médico e paciente que, se bem conduzida, leva ao diagnóstico correto em 90% dos casos. Restrições alimentares, cirurgia bariátrica prévia, uso de medicamentos tóxicos, histórico familiar e padrão de consumo de álcool e tabaco entram nessa investigação.

Na sequência vêm exames clínicos, como avaliação de pupilas, visão das cores, campo visual, movimentos oculares e fundo do olho, e exames complementares, como a tomografia de coerência óptica (OCT), que mede a espessura das fibras nervosas em micrômetros e detecta a perda antes que o paciente a perceba. Também entram ressonância magnética, dosagem de vitamina B12 e testes eletrofisiológicos da visão.

Nas neuropatias tóxicas, a conduta é a suspensão imediata do agente, seja medicamento, álcool ou tabaco. Nas carenciais, a recomendação é a reposição rápida de vitaminas. Já a intoxicação aguda por metanol exige tratamento de emergência, com antídotos, correção da acidose e até diálise, que, se iniciada a tempo, pode preservar a visão.

Para o restante do espectro de doenças neurológicas que afetam a visão, os tratamentos vão desde a administração de corticoide em altas doses e plasmaférese nas neurites até radioterapia, cirurgia e terapias-alvo nas compressões tumorais.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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