Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida
Relatório do Unicef mostra que 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam vacina no primeiro ano de vida em 2025. O número representa 15% dos bebês. Brasil reduziu crianças zero-dose para 50 mil, mas tríplice viral ainda preocupa.
Resumo rápido
- Relatório do Unicef mostra que 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam vacina no primeiro ano de vida em 2025.
- O número representa 15% dos bebês.
- Brasil reduziu crianças zero-dose para 50 mil, mas tríplice viral ainda preocupa.
Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida
Dados governamentais compilados pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) e divulgados nesta quarta-feira (15) mostram que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida em 2025. O número representa 15% dos bebês no mundo. Outras 7,3 milhões de crianças não tiveram o ciclo básico completo - com três doses da vacina que protege contra difteria, tétano e coqueluche (DTP).
13,5 milhões de crianças zero-dose: o que diz o relatório
O estudo Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional indica que os números representam um avanço em relação ao ano anterior. Em 2025, 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP, 750 mil a mais do que em 2024. Apesar disso, o Unicef alerta que a manutenção do índice de crianças zero-dose aumenta o risco de surtos de doenças. O patamar atual é considerado alto pelo fundo, próximo ao observado em 2009 e abaixo do período anterior à pandemia de Covid-19.
O abandono do ciclo de imunização ocorre principalmente antes da primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1). Segundo o relatório, 84% das crianças recebem a primeira dose, e apenas 77% a segunda (MCV2). O limite seguro para imunização contra o sarampo é de 95%. Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos de sarampo no mundo, em surtos que atingiram 57 países.
Cobertura vacinal global: progresso e estagnação
Os dados foram enviados pelos governos de 195 países. Destes, 100 mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da vacina DTP desde 2019, apresentando pouco progresso na ampliação desse grupo. Entre os países que estavam abaixo desse patamar em 2019, 30 conseguiram melhorar as taxas ao longo dos últimos seis anos, mas 65 países permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade.
"Governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a forte queda observada durante a pandemia de Covid-19. Milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza", afirmou em nota Catherine Russell, diretora executiva do Unicef.
Mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais abriguem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. "Nesses cenários, os programas de imunização frequentemente enfrentam desafios relacionados à instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico", detalha o levantamento.
Desafios em países de renda média e alta
Outro desafio é a diminuição da cobertura em países de renda média e alta, que ocorre por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal. Dois exemplos destacados foram o da cobertura da DTP1. Na África do Sul, o índice caiu 20 pontos percentuais desde 2019 e continuou diminuindo em 2025. Na Bósnia e Herzegovina, apresentou queda de 23 pontos percentuais no último ano, após registrar o maior aumento da cobertura da MCV1 da região em 2024. Ambos estão em regiões estáveis e apresentam melhora sustentada de outros índices de acesso à saúde.
Brasil na contramão: melhora na cobertura
O Brasil tem ido na contramão desses países, com melhora constante da cobertura vacinal e redução do número de crianças zero-dose, estimadas em 50 mil no país. Houve melhora de cobertura e de qualidade na integração dos dados públicos. Das principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice (DTP-3) mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%.
Os dados nacionais, porém, são alvo de uma crítica específica: a ausência de levantamento independente sobre o tema nos últimos 5 anos, ação recomendada pela OMS e pelo Unicef para garantir a qualidade dos dados.
Financiamento e futuro da imunização
"Os níveis históricos de imunização observados nos países de menor renda mostram o que pode ser alcançado quando todas as partes trabalham juntas em torno de um objetivo comum", afirmou Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da Organização Mundial de Saúde. Segundo ela, o grande desafio será manter esse impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes, ao mesmo tempo em que se intensificam os esforços para alcançar as crianças que ainda não têm acesso à imunização.
O estudo informa que as bases que possibilitaram esse progresso estão sob forte pressão, com recentes cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas neste ciclo, em comparação com 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019.
Perguntas Frequentes
Quantas crianças não tomaram vacina no primeiro ano de vida em 2025?
Segundo o Unicef, 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025, representando 15% dos bebês no mundo.
O que significa "criança zero-dose"?
O termo se refere a crianças que não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, conforme definição do estudo Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional.
Qual a situação do Brasil na vacinação infantil?
O Brasil reduziu o número de crianças zero-dose para 50 mil, com melhora constante da cobertura vacinal. A exceção é o ciclo completo da tríplice (DTP-3), com cobertura na faixa de 86%.
Quantos casos de sarampo foram registrados em 2025?
Foram mais de 411 mil casos de sarampo no mundo em 2025, com surtos em 57 países. A cobertura segura contra a doença é de 95%.
Por que a cobertura vacinal caiu em alguns países?
A queda ocorre por mudanças no compromisso político, desafios estruturais, aumento da hesitação vacinal e, em países frágeis, por conflitos, deslocamentos forçados e pobreza.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.