Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida
Relatório da Unicef revela que 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida. O dado acende alerta global sobre retrocesso na imunização infantil e riscos de surtos de doenças evitáveis.
Resumo rápido
- Relatório da Unicef revela que 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida.
- O dado acende alerta global sobre retrocesso na imunização infantil e riscos de surtos de doenças evitáveis.
Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida
Relatório da Unicef divulgado em 2024 revela que 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida. O dado acende alerta global sobre retrocesso na imunização infantil e riscos de surtos de doenças evitáveis.
Segundo a Unicef, 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida. O número refere-se a 2023 e representa um retrocesso na cobertura vacinal global, com impactos diretos na saúde infantil e risco de surtos de doenças como sarampo e poliomielite.
O cenário global da imunização infantil
A Unicef estima que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida em 2023. Esse contingente representa cerca de 10% da coorte global de nascidos vivos. A maioria dessas crianças vive em países de baixa e média renda, com destaque para Índia, Nigéria, Etiópia, Indonésia e Filipinas.
O relatório aponta que a pandemia de COVID-19 interrompeu serviços de imunização em mais de 100 países. Em 2020, a cobertura global da vacina DTP3 (tríplice bacteriana) caiu de 86% para 81%, o nível mais baixo desde 2009. Embora tenha havido recuperação parcial, o número de crianças não vacinadas segue acima do patamar pré-pandemia.
Impacto na saúde pública
Crianças não vacinadas no primeiro ano de vida ficam expostas a doenças que podem ser fatais. Segundo a OMS, o sarampo matou cerca de 136 mil pessoas em 2022, a maioria crianças menores de 5 anos. A poliomielite, considerada erradicada na maior parte do mundo, ainda circula em países como Afeganistão e Paquistão.
A queda na cobertura vacinal também favorece o ressurgimento de doenças controladas. O Brasil, por exemplo, registrou surtos de sarampo entre 2018 e 2020 após anos sem transmissão autóctone. No mundo, 37 países notificaram casos de sarampo em 2023, contra 22 em 2021.
Fatores que explicam o déficit vacinal
A Unicef identifica três causas principais para o déficit vacinal: conflitos armados, desigualdade de acesso e desinformação. Países em guerra, como Iêmen, Síria e Ucrânia, têm sistemas de saúde colapsados. Crianças em áreas rurais remotas enfrentam barreiras logísticas para chegar a postos de vacinação.
A desinformação sobre vacinas cresceu durante a pandemia. Em 2023, 67 países registraram aumento de hesitação vacinal entre pais e cuidadores. O fenômeno é mais intenso em países de alta renda, mas atinge também nações em desenvolvimento.
Desigualdade regional
Na África Subsaariana, a cobertura da vacina DTP3 é de 74%, contra 94% na Europa. Na América Latina, a cobertura caiu de 93% em 2010 para 82% em 2022. O Brasil, que já foi referência em imunização, viu a cobertura da poliomielite cair de 96% em 2015 para 77% em 2022.
Consequências de longo prazo
Crianças não vacinadas no primeiro ano de vida têm maior risco de morte precoce. Estima-se que 1,5 milhão de crianças morrem anualmente por doenças que poderiam ser evitadas com vacinas. A falta de imunização também sobrecarrega sistemas de saúde com internações evitáveis.
Além do custo humano, há impacto econômico. A OMS calcula que cada dólar investido em vacinação gera retorno de 44 dólares em ganhos de produtividade e redução de gastos com tratamento.
O que pode ser feito
A Unicef recomenda que governos priorizem a imunização de rotina, invistam em logística e combatam a desinformação. Programas de vacinação em escolas e campanhas de busca ativa em comunidades remotas têm mostrado eficácia. A aliança Gavi, que financia vacinas para países pobres, conseguiu vacinar mais de 800 milhões de crianças desde 2000.
No Brasil, o Ministério da Saúde lançou em 2023 o Movimento Nacional pela Vacinação, com meta de retomar coberturas acima de 90% para todas as vacinas do calendário infantil cobertura vacinal Brasil 2024.
Perguntas Frequentes
Quantas crianças não recebem vacina no primeiro ano de vida?
Segundo a Unicef, 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida em 2023.
Quais são as principais causas da falta de vacinação?
Conflitos armados, desigualdade de acesso e desinformação são os três principais fatores apontados pela Unicef.
Qual o impacto da desinformação na vacinação infantil?
A desinformação sobre vacinas cresceu durante a pandemia, com 67 países registrando aumento de hesitação vacinal entre pais e cuidadores em 2023.
Como a pandemia de COVID-19 afetou a vacinação infantil?
A pandemia interrompeu serviços de imunização em mais de 100 países, derrubando a cobertura global da vacina DTP3 de 86% para 81% em 2020.
O que pode ser feito para reverter o déficit vacinal?
A Unicef recomenda priorizar a imunização de rotina, investir em logística e combater a desinformação. Programas de busca ativa e campanhas em escolas têm mostrado eficácia.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.