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Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

ResumoO Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelou que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida em 2025. Conflitos armados, deslocamentos populacionais e cortes de financiamento são os principais fatores de risco identificados pelo estudo.

Dados do Unicef revelam que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida em 2025. Conflitos, deslocamentos e cortes de financiamento são os principais fatores de risco apontados pelo estudo.

Escrito por Henrique Pádua · Atualizado em 20 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico Método Fit 30Equipe médica revisora

Resumo rápido

  • Dados do Unicef revelam que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida em 2025.
  • Conflitos, deslocamentos e cortes de financiamento são os principais fatores de risco apontados pelo estudo.
Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

A cobertura vacinal completa para a primeira infância ainda é uma realidade distante para 15% dos bebês em todo o mundo. É o que apontam dados governamentais compilados pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) e divulgados nesta quarta-feira (15).

Segundo o levantamento, em 2025, 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, classificadas como "crianças zero-dose" no estudo. Outras 7,3 milhões não tiveram o ciclo básico completo, que inclui três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP).

Apesar do avanço em relação a 2024, quando 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP, 750 mil a mais do que no ano anterior, o índice de crianças zero-dose é considerado alto pelo fundo. O patamar atual se aproxima do observado em 2009 e fica abaixo do período anterior à pandemia de Covid-19, o que, segundo o Unicef, aumenta o risco de surtos de doenças.

Os fatores de risco por trás dos números

O estudo Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional aponta que mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais abriguem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. "Nesses cenários, os programas de imunização frequentemente enfrentam desafios relacionados à instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico", detalha o levantamento.

Catherine Russell, diretora executiva do Unicef, afirmou em nota: "Milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza". O relatório também destaca a diminuição da cobertura em países de renda média e alta, atribuída a mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal.

Dois exemplos citados são a África do Sul, onde a cobertura da DTP1 caiu 20 pontos percentuais desde 2019 e continuou diminuindo em 2025, e a Bósnia e Herzegovina, que registrou queda de 23 pontos percentuais no último ano, após ter apresentado o maior aumento da cobertura da MCV1 da região em 2024. Ambos os países estão em regiões estáveis e apresentam melhora sustentada em outros índices de acesso à saúde.

Sarampo: o alerta do ciclo incompleto

O programa de vacinas do Unicef alerta que o abandono do ciclo de imunização ocorre principalmente antes da primeira dose contra o sarampo (MCV1). Atualmente, 84% das crianças recebem a primeira dose, mas apenas 77% completam com a segunda (MCV2). O limite considerado seguro para imunização contra o sarampo é de 95%. Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos da doença no mundo, em surtos que atingiram 57 países.

O contraste do Brasil

O Brasil segue na contramão dos países com retrocesso. O país apresenta melhora constante da cobertura vacinal e redução do número de crianças zero-dose, hoje estimadas em 50 mil. Das principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice (DTP-3) mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%. Os dados nacionais, porém, são alvo de uma crítica específica: a ausência de levantamento independente sobre o tema nos últimos 5 anos, ação recomendada pela OMS e pelo Unicef para garantir a qualidade dos dados.

Cortes de financiamento e o futuro da imunização

O estudo informa que as bases que possibilitaram o progresso recente estão sob forte pressão. Os principais motivos são os recentes cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e o enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Segundo os dados, apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas neste ciclo, em comparação com 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019.

Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da Organização Mundial de Saúde, afirmou que "o grande desafio será manter esse impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes, ao mesmo tempo em que se intensificam os esforços para alcançar as crianças que ainda não têm acesso à imunização".

Dos 195 países que enviaram dados, 100 mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da DTP desde 2019, mas apresentaram pouco progresso na ampliação desse grupo. Entre os que estavam abaixo desse patamar em 2019, 30 conseguiram melhorar, enquanto 65 permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade.

Perguntas Frequentes

O que são crianças zero-dose?

São crianças que não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, conforme classificação do estudo do Unicef.

Quantas crianças zero-dose existem no Brasil?

O Brasil tem cerca de 50 mil crianças nessa condição, com melhora constante na cobertura vacinal.

Qual a vacina que mais preocupa?

A vacina contra o sarampo (MCV1 e MCV2) tem cobertura abaixo do ideal, com apenas 77% das crianças recebendo a segunda dose, enquanto o seguro é de 95%.

Por que a cobertura vacinal caiu em alguns países?

Os fatores incluem conflitos, deslocamentos forçados, pobreza, mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal.

O que ameaça o progresso da vacinação global?

Cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e o enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento são as principais ameaças apontadas pelo estudo.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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