Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida
Relatório da Unicef revela que 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida. O dado acende alerta sobre retrocesso na imunização infantil e riscos de surtos de doenças evitáveis.
Resumo rápido
- Relatório da Unicef revela que 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida.
- O dado acende alerta sobre retrocesso na imunização infantil e riscos de surtos de doenças evitáveis.
Um relatório da Unicef divulgado em 2024 acendeu o alerta global: 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida. O número representa um retrocesso na cobertura vacinal infantil, que vinha em recuperação lenta após a pandemia de Covid-19. A falta de imunização básica expõe milhões de crianças a doenças evitáveis, como sarampo, poliomielite e difteria.
Segundo a Unicef, 13,5 milhões de crianças não receberam vacina no 1° ano de vida em 2023. O dado faz parte do relatório "Estado Mundial da Infância 2024", que monitora indicadores de saúde infantil em mais de 190 países. A cobertura global da vacina tríplice viral (DTP1) caiu de 86% em 2019 para 84% em 2023, enquanto a terceira dose (DTP3) recuou de 81% para 79% no mesmo período (Unicef, relatório anual, 2024).
Doenças que estavam controladas voltam a ameaçar. O sarampo, por exemplo, registrou aumento de 18% nos casos globais entre 2022 e 2023, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A poliomielite, considerada erradicada na maior parte do mundo, ainda circula em países como Afeganistão e Paquistão, onde a cobertura vacinal é baixa.
Por que 13,5 milhões de crianças não recebem vacina?
As causas são múltiplas e variam de região para região. A Unicef aponta três fatores principais:
- Conflitos armados e instabilidade política: Países como Afeganistão, Iêmen e República Democrática do Congo concentram grande parte das crianças não vacinadas. Hospitais e postos de saúde são destruídos ou ficam inacessíveis.
- Desinformação sobre vacinas: O movimento antivacina, impulsionado por fake news nas redes sociais, reduz a adesão mesmo em países com sistemas de saúde robustos.
- Fragilidade dos sistemas de saúde: Em nações de baixa renda, a falta de infraestrutura, profissionais treinados e logística de distribuição impede que as vacinas cheguem às comunidades remotas.
A Unicef destaca que 67% das crianças não vacinadas vivem em 10 países: Índia, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Paquistão, Filipinas, República Democrática do Congo, Angola, México e Brasil. O Brasil, embora tenha histórico de altas coberturas, registrou queda na vacinação infantil nos últimos anos.
Impactos da baixa cobertura vacinal na saúde infantil
A falta de vacinação tem consequências diretas e indiretas. Doenças como sarampo, coqueluche e difteria podem causar complicações graves, incluindo pneumonia, encefalite e morte. Crianças não vacinadas também ficam mais vulneráveis a surtos comunitários.
A OMS estima que a vacinação evita entre 3,5 milhões e 5 milhões de mortes por ano globalmente. Quando a cobertura cai, esses números sobem. O sarampo, por exemplo, matou 136 mil pessoas em 2022, a maioria crianças menores de 5 anos (OMS, dados de vigilância, 2023).
Além do risco individual, a baixa imunização compromete a chamada "imunidade de rebanho", que protege indiretamente quem não pode ser vacinado por razões médicas. Para o sarampo, a cobertura precisa ser de pelo menos 95% para interromper a transmissão. Em 2023, apenas 83% das crianças receberam a primeira dose da vacina contra sarampo (Unicef, relatório, 2024).
O papel da Unicef e das organizações de saúde
A Unicef é a maior compradora de vacinas do mundo, adquirindo cerca de 2 bilhões de doses por ano para 100 países. Em parceria com a OMS, a Aliança Gavi e governos locais, a agência da ONU coordena campanhas de vacinação em massa, treina profissionais e fortalece cadeias de frio para armazenamento de imunizantes.
No Brasil, a Unicef apoia o Programa Nacional de Imunizações (PNI) desde sua criação, em 1973. O país já foi referência global em vacinação, mas enfrenta desafios: a cobertura da vacina pentavalente caiu de 96% em 2015 para 77% em 2022 (Ministério da Saúde, dados do PNI, 2023) vacinação infantil no Brasil: cenário atual e desafios.
Como reverter o cenário?
Especialistas apontam que a solução passa por três eixos:
- Fortalecimento da atenção primária: Postos de saúde bem equipados e com equipes capacitadas são a porta de entrada para a vacinação.
- Combate à desinformação: Campanhas educativas baseadas em evidências científicas, com linguagem acessível e canais confiáveis.
- Investimento em logística: Garantir que vacinas cheguem a áreas remotas, com transporte refrigerado e sistemas de monitoramento.
A Unicef defende que nenhuma criança deve morrer de uma doença que pode ser prevenida com vacina. O custo de não vacinar é alto: em vidas perdidas, em gastos com tratamento e em surtos que poderiam ser evitados.
Perguntas Frequentes
Qual a fonte do dado de 13,5 milhões de crianças não vacinadas?
O número é do relatório "Estado Mundial da Infância 2024", publicado pela Unicef em abril de 2024.
Quais vacinas estão incluídas nessa estatística?
O dado se refere a crianças que não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida, incluindo a vacina contra tuberculose (BCG), hepatite B, poliomielite, difteria, tétano, coqueluche, sarampo e outras.
O Brasil está entre os países com mais crianças não vacinadas?
Sim. O Brasil aparece na lista dos 10 países com maior número de crianças não vacinadas, segundo a Unicef.
Como a pandemia de Covid-19 afetou a vacinação infantil?
A pandemia interrompeu campanhas de vacinação em todo o mundo. Em 2020, 23 milhões de crianças deixaram de receber vacinas básicas, o maior número em 11 anos (Unicef, relatório, 2021).
O que a Unicef faz para aumentar a cobertura vacinal?
A Unicef compra e distribui vacinas, treina profissionais de saúde, realiza campanhas de conscientização e apoia governos na criação de políticas públicas de imunização.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.