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Saiba como cientistas "curaram" pacientes infectados com HIV em 2026

ResumoDois pacientes com HIV, um de Kansas City e outro de Essen, alcançaram remissão viral por meses após transplante de células-tronco com a mutação CCR5 delta32. O procedimento, apresentado na 26ª Conferência Internacional da Aids no Rio de Janeiro, bloqueia a entrada do vírus nas células, mas não representa cura universal devido aos riscos e à complexidade do transplante.

Dois novos casos de remissão do HIV foram anunciados na 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro. Os pacientes de Kansas City e Essen ficaram meses sem vírus detectado após transplante de células-tronco com mutação CCR5 delta32. Entenda o mecanismo e os desafios.

Escrito por Sofia Marinho · Atualizado em 29 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico Método Fit 30Equipe médica revisora

Resumo rápido

  • Dois novos casos de remissão do HIV foram anunciados na 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro.
  • Os pacientes de Kansas City e Essen ficaram meses sem vírus detectado após transplante de células-tronco com mutação CCR5 delta32.
  • Entenda o mecanismo e os desafios.
Saiba como cientistas "curaram" pacientes infectados com HIV em 2026

Como funciona a remissão do HIV após transplante de células-tronco

Dois novos casos de remissão da infecção pelo HIV foram anunciados durante a 26ª Conferência Internacional da Aids, realizada no Rio de Janeiro. Com esses, sobe para 13 o número de pacientes infectados que não tiveram o vírus detectado no sangue após transplante de células-tronco. O tratamento, embora ainda experimental e restrito a casos específicos, abre caminhos para entender os mecanismos de resistência ao HIV.

A remissão ocorre quando, mesmo após a interrupção da terapia antirretroviral, o vírus não é mais detectado no organismo. Não se trata de uma cura definitiva, pois não é possível afirmar se a infecção retornará com o tempo. Ainda assim, os resultados são considerados um avanço significativo.

O mecanismo por trás da resistência: a mutação CCR5 delta32

O HIV, para infectar o corpo, precisa entrar nos linfócitos T CD4+, células essenciais do sistema imunológico. A entrada ocorre quando o vírus se conecta a moléculas na membrana da CD4+, incluindo o receptor CD4 e os correceptores CCR5 e CXCR4.

Nos doadores de células-tronco dos dois novos casos, os genes produzem uma versão modificada do correceptor CCR5, chamada CCR5 delta32. Essa mutação impede a ligação do vírus com a célula, bloqueando a infecção. Como as células-tronco transplantadas dão origem a novas CD4+, estas herdam a resistência.

"A mutação em homozigose está presente em cerca de 10% dos europeus do norte, sendo, infelizmente, muito rara", explica a pesquisadora Carina Elsner, uma das responsáveis pelo estudo com o paciente de Essen. A questão central, segundo ela, é se a presença da mutação é realmente a chave para uma remissão de longo prazo.

Os casos de Kansas City e Essen

O "paciente de Kansas City" (Estados Unidos) descobriu aos 21 anos que, além do HIV, tinha leucemia mieloide aguda, um câncer que afeta a produção de células de defesa. Já o "paciente de Essen" (Alemanha) estava infectado por dois tipos diferentes de HIV e também pelo vírus da hepatite B.

Ambos receberam transplantes de células-tronco hematopoiéticas, aquelas que originam as células sanguíneas, incluindo os leucócitos. Os doadores tinham a mutação CCR5 delta32. Após o transplante, a terapia antirretroviral foi interrompida para avaliar a resposta.

No paciente de Kansas City, o vírus não foi detectado por 14 meses. No de Essen, foram 12 meses. No entanto, no caso alemão, houve uma recidiva do vírus da hepatite B, o que mostra que o transplante não eliminou todas as infecções.

"É apenas o caso de um paciente, mas que se soma à lista de pacientes que se recuperaram após o transplante de células-tronco", afirma Wissam El Atrouni, um dos responsáveis pela pesquisa com o paciente de Kansas City. "É necessário acompanhamento contínuo. Agora, passaremos a realizar testes mensais."

O histórico: o paciente de Berlim

O primeiro paciente a ser considerado curado do HIV foi Timothy Ray Brown, conhecido como "paciente de Berlim". Ele recebeu um transplante de células-tronco em 2007 e viveu livre do vírus até 2020, quando morreu vítima de leucemia, a mesma doença que motivou o transplante.

Limitações e próximos passos

A mutação CCR5 delta32 é rara, presente em cerca de 10% dos europeus do norte, o que limita a disponibilidade de doadores. Além disso, o transplante de células-tronco é um procedimento de alto risco, indicado apenas para pacientes que já precisam dele para tratar outras doenças, como leucemia.

A comunidade científica ainda debate se a remissão observada nesses casos pode ser atribuída exclusivamente à mutação ou se outros fatores imunológicos contribuem. O acompanhamento contínuo é essencial para confirmar a durabilidade da remissão.

Perguntas Frequentes

O que é a mutação CCR5 delta32?

É uma alteração genética que impede a entrada do HIV nas células CD4+, bloqueando a infecção. Está presente em cerca de 10% dos europeus do norte.

Quantos pacientes já tiveram remissão do HIV após transplante?

Com os dois novos casos, o número chega a 13 pacientes que não tiveram o vírus detectado no sangue após o procedimento.

A remissão é o mesmo que cura?

Não. Remissão significa que o vírus não é detectado, mas não é possível afirmar que a infecção não retornará. O termo "cura" é usado com cautela pela comunidade científica.

Por que o transplante não é indicado para todos os pacientes com HIV?

O transplante de células-tronco é um procedimento de alto risco, reservado para tratar doenças como leucemia. A mutação CCR5 delta32 é rara, e o tratamento não é viável em larga escala.

O que aconteceu com o paciente de Essen após a remissão do HIV?

Houve uma recidiva do vírus da hepatite B, já que o transplante não eliminou essa infecção. O HIV, porém, permaneceu indetectável por 12 meses.

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Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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