Nova diretriz muda tratamento da tireoide na gestação
Nova diretriz brasileira muda o tratamento da tireoide na gestação: gestantes com anti-TPO positivo e função normal não devem usar levotiroxina preventiva. Veja os novos critérios.
Resumo rápido
- Nova diretriz brasileira muda o tratamento da tireoide na gestação: gestantes com anti-TPO positivo e função normal não devem usar levotiroxina preventiva.
- Veja os novos critérios.
A nova diretriz brasileira muda o tratamento da tireoide na gestação ao recomendar que gestantes com anticorpos anti-TPO positivos e função tireoidiana normal não usem levotiroxina preventivamente. A orientação foi anunciada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), com base na diretriz da Associação Americana da Tireoide (ATA), publicada em junho, quase uma década após a versão anterior, de 2017.
A mudança se apoia em três grandes estudos recentes que mostraram que o tratamento preventivo não reduz riscos de abortamento ou parto prematuro nesse grupo. O subcoordenador do Departamento de Tireoide da SBEM, Cleo Mesa Júnior, explica que o anticorpo positivo indica predisposição, mas, se TSH e T4 livre estão normais, a mulher é eutireoidiana e não há benefício comprovado no uso de levotiroxina. A glândula continuará monitorada, pois há maior risco de hipotireoidismo ao longo da gestação.
No Brasil, o rastreamento precoce de todas as gestantes será mantido, diferente da ATA, que sugere rastreamento seletivo apenas para quem tem fatores de risco. O especialista admite que a recomendação internacional é controversa, já que não há provas definitivas de que testar só quem tem risco seja melhor. "O rastreamento seletivo pode deixar de identificar algumas mulheres que apresentam alteração da tireoide, mas não possuem os fatores de risco", alerta Mesa Júnior.
Outra mudança envolve o hipotireoidismo subclínico: o tratamento para TSH entre 4,0 e 10 mUI/L fica focado no primeiro trimestre, até a 12ª semana, quando o feto depende mais do hormônio materno. Se identificado no segundo ou terceiro trimestre, a orientação é acompanhar, salvo TSH acima de 10 mUI/L. A suplementação de iodo, por sua vez, será individualizada no Brasil, considerando casos de dietas restritivas ou baixo consumo de sal iodado, com doses de 100 a 150 µg por dia.
A medida busca individualizar o cuidado e evitar medicação desnecessária, sem perder a chance de diagnosticar a doença. Para quem já tinha hipotireoidismo antes de engravidar, a orientação segue sendo aumentar em cerca de 30% a dose habitual do hormônio assim que a gravidez for confirmada.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.