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Demora no diagnóstico agrava esclerose múltipla, alerta associação

ResumoA Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) divulgou estudo da HSR Health com a Roche Farma. A pesquisa revela que 26,6% dos pacientes esperam mais de cinco anos pelo diagnóstico de esclerose múltipla. A demora no reconhecimento da doença agrava a progressão clínica, comprometendo a eficácia do tratamento e a qualidade de vida dos afetados.

Estudo da HSR Health com a Roche Farma, divulgado pela ABEM, revela que 26,6% dos pacientes esperam mais de cinco anos pelo diagnóstico de esclerose múltipla, agravando a progressão da doença.

Escrito por Renata Bello · Atualizado em 28 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico Método Fit 30Equipe médica revisora

Resumo rápido

  • Estudo da HSR Health com a Roche Farma, divulgado pela ABEM, revela que 26,6% dos pacientes esperam mais de cinco anos pelo diagnóstico de esclerose múltipla, agravando a progressão da doença.
Demora no diagnóstico agrava esclerose múltipla, alerta associação

Cerca de um quarto dos pacientes com esclerose múltipla demora mais de cinco anos para receber o diagnóstico, o que favorece a progressão da doença. O alerta foi feito por uma pesquisa da HSR Health, em parceria com a Roche Farma, divulgada pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) nesta sexta-feira (28). O estudo, lançado durante o Agosto Laranja, ouviu 368 pessoas em tratamento contra a doença no Brasil.

A demora no diagnóstico agrava a esclerose múltipla, e os números ajudam a dimensionar o problema. Mais da metade dos entrevistados (56,8%) recebeu um diagnóstico incorreto antes da confirmação da doença. Além disso, 26,6% esperaram mais de cinco anos pelo diagnóstico definitivo, e 14,1% levaram uma década ou mais entre os primeiros sintomas e a confirmação.

De acordo com o neurologista Rodrigo Kleinpaul, coordenador do Ambulatório de Neuroimunologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a agilidade no diagnóstico é importante para retardar danos permanentes. "Chega o momento em que esse dano no cérebro ou na medula vai diminuindo a reserva que o paciente tem, aquela reserva funcional. E começa o que a gente chama de progressão de incapacidade e isso pode levar o paciente a ficar com incapacidade definitiva", disse.

Segundo a pesquisa, para 36% dos entrevistados, a principal barreira até o diagnóstico são os médicos e profissionais de saúde. Para 23%, são exames e investigações, como a ressonância magnética, que é um procedimento de custo mais alto. Outros 18% apontaram a própria demora do diagnóstico, enquanto 12% indicaram os custos no acesso ao diagnóstico correto.

A dificuldade diagnóstica também ocorre porque os sintomas iniciais são parecidos com os de outras doenças. "Não é incomum uma mulher jovem chegar ao pronto-socorro com queixa de formigamento e dormência e receber o diagnóstico de ansiedade. Então, isso também gera atraso de diagnóstico", afirmou Kleinpaul.

Cerca de 40 mil brasileiros convivem com a esclerose múltipla, de acordo com a ABEM. A doença acomete principalmente mulheres jovens, na faixa etária de 20 a 40 anos, e é a causa mais comum de incapacidade por doenças neurológicas em pacientes jovens, excluindo causas traumáticas. A educadora física Lucimara de Lima Santana, de 44 anos, percorreu consultórios em São Paulo por quatro anos até descobrir a doença. "Se eu tinha problema de visão, eu ia no oftalmologista; dificuldade para andar, ia no ortopedista", relatou.

A doença não tem cura, mas houve avanço no controle de sua progressão. "Dez anos atrás, uma mulher jovem diagnosticada com 20 anos de idade, aos 40 anos já estaria em uma cadeira de rodas. Hoje, a gente consegue evitar que isso aconteça", disse Kleinpaul. Apesar disso, o acesso ao tratamento ainda é um desafio: 41,2% relataram ter deixado de realizá-lo ou tiveram que remarcá-lo por dificuldades, como burocracia dos planos de saúde ou falta de medicação.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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