Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida
Relatório da Unicef indica que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida, revelando falhas na cobertura vacinal global e riscos de surtos de doenças evitáveis.
Resumo rápido
- Relatório da Unicef indica que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida, revelando falhas na cobertura vacinal global e riscos de surtos de doenças evitáveis.
Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida
A Unicef divulgou que 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida, conforme dados de 2023. O número representa uma estagnação na cobertura vacinal global, com impactos diretos na saúde infantil e no risco de surtos de doenças evitáveis.
Segundo a Unicef, 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida, deixando-as vulneráveis a doenças evitáveis. Os dados, de 2023, apontam que a cobertura vacinal global estagnou, com destaque para a América Latina e África, onde os índices são mais críticos.
Cobertura vacinal global: o que dizem os números
A cobertura vacinal global para a primeira dose da DTP (tríplice bacteriana) ficou em 86% em 2023, abaixo da meta de 90% estabelecida pela OMS. A Unicef destaca que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida, um número que se mantém estável desde 2019.
Regiões mais afetadas
- América Latina: a cobertura da DTP3 caiu de 93% em 2019 para 91% em 2023, com países como Brasil e México enfrentando desafios logísticos.
- África Subsaariana: 60% das crianças não vacinadas vivem em 10 países, incluindo Nigéria e Etiópia, onde conflitos e deslocamentos dificultam o acesso.
- Sudeste Asiático: a Índia registrou avanços, mas ainda concentra 2,5 milhões de crianças sem nenhuma dose.
Por que tantas crianças ficam sem vacina?
A evidência primeiro: a Unicef aponta que 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida por uma combinação de fatores estruturais. Sistemas de saúde frágeis, conflitos armados, desinformação sobre vacinas e desigualdades de renda são as principais barreiras.
Conflitos e deslocamentos
Em zonas de conflito, como Iêmen e Afeganistão, a cobertura vacinal cai para menos de 50% em algumas regiões. A Unicef estima que 40% das crianças não vacinadas vivem em países afetados por crises humanitárias.
Desinformação e hesitação vacinal
A hesitação vacinal cresceu durante a pandemia de Covid-19, com 67 milhões de crianças perdendo doses entre 2020 e 2022. No Brasil, pesquisa do IBGE mostrou que 1 em cada 5 pais tem dúvidas sobre a segurança das vacinas infantis.
Consequências da baixa cobertura vacinal
A estagnação na imunização tem efeitos diretos. A OMS registrou surtos de sarampo em 37 países em 2023, com 9 milhões de casos e 136 mil mortes, a maioria em crianças não vacinadas. A paralisia infantil (poliomielite) voltou a circular em países como Afeganistão e Paquistão, onde a cobertura da vacina oral caiu para 80%.
Doenças evitáveis que voltaram a circular
- Sarampo: 37 países registraram surtos em 2023, com aumento de 18% nos casos em relação a 2022.
- Coqueluche: surtos localizados no Brasil e na Europa, com 12 mil casos reportados na França em 2023.
- Difteria: casos em crianças não vacinadas na Venezuela e no Haiti, com taxa de letalidade de 10%.
O papel do Brasil na imunização infantil
O Brasil, que já foi referência mundial em vacinação, viu a cobertura da DTP3 cair de 95% em 2015 para 84% em 2023. O governo federal lançou o Movimento Nacional pela Vacinação em 2023, mas a adesão ainda é baixa. A Unicef recomenda que o país invista em busca ativa de não vacinados e em campanhas de comunicação direcionadas.
Avanços e desafios
- Avanço: o Brasil reintroduziu a vacina contra a poliomielite em 2024, com campanha para crianças menores de 5 anos.
- Desafio: 1,2 milhão de crianças brasileiras não receberam a segunda dose da DTP em 2023, segundo o Ministério da Saúde.
Como reverter o cenário?
A Unicef propõe cinco ações prioritárias para reduzir o número de crianças não vacinadas: fortalecer sistemas de saúde primários, treinar agentes comunitários, combater a desinformação com dados científicos, integrar vacinação a outros serviços de saúde e garantir financiamento sustentável.
Iniciativas que funcionam
- Gavi, a Aliança para Vacinas: desde 2000, ajudou a vacinar 1 bilhão de crianças, reduzindo a mortalidade infantil em 50% em países parceiros.
- Programa Nacional de Imunizações do Brasil: modelo de sucesso nas décadas de 1980 e 1990, com coberturas acima de 95% para todas as vacinas do calendário básico.
Perguntas Frequentes
Quantas crianças não recebem vacina no primeiro ano de vida?
Segundo a Unicef, 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2023.
Quais vacinas são recomendadas no primeiro ano de vida?
A OMS recomenda: BCG (tuberculose), hepatite B, DTP (difteria, tétano, coqueluche), pólio, pneumocócica, rotavírus, sarampo, caxumba e rubéola (SCR). No Brasil, o calendário básico inclui 14 vacinas até os 12 meses.
Por que a cobertura vacinal está caindo no mundo?
Os principais fatores são: conflitos armados, deslocamentos populacionais, desinformação sobre vacinas, sistemas de saúde frágeis e desigualdades de acesso.
O Brasil tem risco de surtos de doenças erradicadas?
Sim. A queda na cobertura vacinal aumentou o risco de retorno de sarampo e poliomielite. O Brasil registrou surtos de sarampo entre 2018 e 2020, com 40 mil casos.
Como posso saber se meu filho está com a vacinação em dia?
Consulte a caderneta de vacinação ou o aplicativo ConecteSUS, do Ministério da Saúde. Postos de saúde oferecem atualização gratuita.
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Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.