Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida
Relatório da Unicef e OMS revela que 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025. O número representa 15% dos bebês e mantém o índice de crianças zero-dose em patamar considerado alto, próximo ao de 2009, aumentando o ris
Resumo rápido
- Relatório da Unicef e OMS revela que 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025.
- O número representa 15% dos bebês e mantém o índice de crianças zero-dose em patamar considerado alto, próximo ao de 2009, aumentando o ris
Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida
Segundo dados compilados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e divulgados em 15 de julho de 2026, 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida em 2025. Essas são chamadas de crianças zero-dose, representando 15% dos bebês em todo o planeta. O índice é considerado alto pelo fundo e mantém o risco de surtos de doenças em patamar preocupante.
O que diz o relatório da Unicef sobre crianças zero-dose em 2025
O estudo "Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional" aponta que, além das 13,5 milhões de crianças zero-dose, outras 7,3 milhões não completaram o ciclo básico de três doses da vacina DTP (difteria, tétano e coqueluche). Apesar do número absoluto elevado, houve avanço em relação a 2024: 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP, 750 mil a mais que no ano anterior.
O Unicef alerta que a manutenção desse patamar, próximo ao observado em 2009, aumenta o risco de surtos de doenças evitáveis. O abandono do ciclo de imunização ocorre principalmente antes da primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1). Enquanto 84% das crianças recebem a primeira dose, apenas 77% tomam a segunda (MCV2). O limite seguro para imunização contra o sarampo é de 95%. Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos de sarampo em surtos que atingiram 57 países.
Quais países mantêm cobertura vacinal e quais retrocederam
Os dados compilados pelos governos de 195 países mostram que 100 deles mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da DTP desde 2019. Entre os que estavam abaixo desse patamar em 2019, 30 conseguiram melhorar as taxas nos últimos seis anos. No entanto, 65 países permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade.
Mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais abriguem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. "Nesses cenários, os programas de imunização frequentemente enfrentam desafios relacionados à instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico", detalha o levantamento.
O caso do Brasil: melhora na cobertura, mas desafios persistem
O Brasil segue na contramão de países como África do Sul e Bósnia e Herzegovina, que apresentaram quedas expressivas na cobertura vacinal. Segundo o relatório, o país registra melhora constante da cobertura e redução do número de crianças zero-dose, hoje estimadas em 50 mil. Das principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice (DTP-3) mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%.
Os dados nacionais, porém, são alvo de uma crítica específica: a ausência de levantamento independente sobre o tema nos últimos 5 anos, ação recomendada pela OMS e pelo Unicef para garantir a qualidade dos dados.
Os desafios globais para a imunização infantil
Catherine Russell, diretora executiva do Unicef, afirma que "governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a forte queda observada durante a pandemia de Covid-19. Milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza."
O relatório aponta que as bases desse progresso estão sob pressão. Cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e o enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento ameaçam os ganhos. Apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas neste ciclo, contra 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019.
Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da OMS, destaca que "os níveis históricos de imunização observados nos países de menor renda mostram o que pode ser alcançado quando todas as partes trabalham juntas em torno de um objetivo comum." O grande desafio, segundo ela, será manter esse impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes.
Perguntas Frequentes
O que significa "crianças zero-dose"?
São crianças que não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida. Em 2025, o Unicef estima 13,5 milhões de crianças nessa situação no mundo.
Qual a meta de cobertura vacinal contra o sarampo?
O limite considerado seguro para imunização contra o sarampo é de 95% com duas doses. Em 2025, 84% das crianças receberam a primeira dose (MCV1) e 77% a segunda (MCV2).
O Brasil está melhorando a vacinação infantil?
Sim. O país registra melhora constante da cobertura vacinal e redução do número de crianças zero-dose, hoje estimadas em 50 mil. A exceção é a DTP-3, com cobertura de 86%.
Quantos casos de sarampo foram registrados em 2025?
Foram mais de 411 mil casos de sarampo no mundo, em surtos que atingiram 57 países, segundo o relatório.
Por que a cobertura vacinal caiu em alguns países estáveis?
A diminuição ocorre por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal. Exemplos citados são África do Sul e Bósnia e Herzegovina.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.