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Cientistas "curam" pacientes com HIV: entenda os novos casos

ResumoA 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro, anunciou dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco. Pacientes de Kansas City e Essen não tiveram vírus detectados no sangue por meses. O tratamento possui limitações e não representa cura generalizada.

Dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco foram anunciados na 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro. Os pacientes, de Kansas City e Essen, não tiveram vírus detectados no sangue por meses. Entenda o mecanismo e as limitações do trat

Escrito por Renata Bello · Atualizado em 30 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico Método Fit 30Equipe médica revisora

Resumo rápido

  • Dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco foram anunciados na 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro.
  • Os pacientes, de Kansas City e Essen, não tiveram vírus detectados no sangue por meses.
  • Entenda o mecanismo e as limitações do trat
Cientistas "curam" pacientes com HIV: entenda os novos casos

Na 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro, dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco foram anunciados. Com isso, chega a 13 o número de pacientes infectados pelo vírus que não tiveram carga viral detectada após esse tipo de tratamento.

Cientistas anunciaram dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco. Os pacientes, de Kansas City (EUA) e Essen (Alemanha), receberam células de doadores com mutação CCR5 delta32, que bloqueia a entrada do vírus nas células. Após interromper os antirretrovirais, o HIV não foi detectado por 14 e 12 meses, respectivamente. O termo correto é remissão, não cura, pois não há garantia de que o vírus não retornará.

Os dois novos pacientes com remissão do HIV

Um dos casos é o do "paciente de Kansas City" (Estados Unidos). Aos 21 anos, ele descobriu que, além de estar infectado pelo HIV, sofria de leucemia mieloide aguda, um câncer que afeta a produção de células de defesa. O outro é o "paciente de Essen" (Alemanha), infectado por dois tipos diferentes de HIV e pelo vírus da hepatite B (HBV).

Ambos foram submetidos a transplantes de células-tronco hematopoiéticas, aquelas que originam as células sanguíneas, incluindo os leucócitos. Nos dois casos, os doadores tinham uma mutação genética especial que os torna resistentes ao HIV.

Como a mutação CCR5 delta32 bloqueia o HIV

O HIV entra nos linfócitos T CD4+ ao se conectar aos receptores CD4 e aos correceptores CCR5 e CXCR4 na membrana celular. Os doadores das células-tronco possuem uma versão modificada do correceptor CCR5, chamada CCR5 delta32, que impede essa ligação. Sem conseguir entrar na CD4+, o vírus não mantém seu ciclo de replicação.

Com o transplante, o paciente recebe células hematopoiéticas com o gene produtor de CCR5 delta32. As novas gerações de linfócitos CD4+ tornam-se potencialmente resistentes ao HIV.

Resultados e limitações do tratamento

Nos dois casos, a terapia com antirretrovirais foi interrompida para avaliar a resposta ao transplante. Após meses, os pesquisadores não detectaram o vírus no organismo dos pacientes. No paciente de Kansas City, foram 14 meses sem detecção; no de Essen, 12 meses. No entanto, houve recidiva do vírus da hepatite B no paciente alemão.

Os estudos concluíram que houve remissão da infecção pelo HIV. O termo "cura" é impreciso, pois não é possível afirmar se a infecção retornará.

"A mutação em homozigose está presente em cerca de 10% dos europeus do norte, sendo, infelizmente, muito rara. A questão principal é se a presença da mutação CCR5 delta 32 é realmente a chave para se alcançar uma remissão de longo prazo do HIV", afirma a pesquisadora Carina Elsner, responsável pelo estudo com o paciente de Essen.

"É apenas o caso de um paciente, mas que se soma à lista de pacientes que se recuperaram após o transplante de células-tronco. É necessário acompanhamento contínuo. Agora, passaremos a realizar testes mensais", diz Wissam El Atrouni, responsável pela pesquisa com o paciente de Kansas City.

O primeiro caso de remissão do HIV

O primeiro paciente considerado curado do HIV, Timothy Ray Brown, conhecido como "paciente de Berlim", recebeu um transplante de células-tronco em 2007. Viveu livre do HIV até 2020, quando morreu vítima de leucemia, a doença que motivou seu transplante.

Perguntas Frequentes

O que é remissão do HIV?

Remissão significa que o vírus não é detectado no sangue após a interrupção dos antirretrovirais, mas não há garantia de que não retornará.

Quantos pacientes já tiveram remissão do HIV?

Com os dois novos casos, são 13 pacientes que não tiveram o vírus detectado após transplante de células-tronco.

O transplante de células-tronco cura o HIV?

Não. O tratamento é considerado experimental e de alto risco, indicado apenas para pacientes com câncer no sangue. A remissão não é garantida.

Qual a diferença entre remissão e cura?

Cura implica erradicação total do vírus. Remissão significa que o HIV não é detectado, mas pode retornar.

A mutação CCR5 delta32 é comum?

Não. A mutação em homozigose está presente em cerca de 10% dos europeus do norte, sendo rara em outras populações.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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