Infecções e mortes por HIV caem, mas falta de recursos ameaça avanços, alerta Unaids
Relatório da Unaids mostra que novas infecções por HIV e mortes por aids caíram para os menores níveis globais em 2025. No entanto, a queda de 23% nos recursos do principal programa de assistência a países de baixa renda ameaça sustentar esse avanço, especialmente em nações afric
Resumo rápido
- Relatório da Unaids mostra que novas infecções por HIV e mortes por aids caíram para os menores níveis globais em 2025.
- No entanto, a queda de 23% nos recursos do principal programa de assistência a países de baixa renda ameaça sustentar esse avanço, especialmente em nações afric
Infecções e mortes por HIV caem, mas falta de recursos ameaça avanços, alerta Unaids
As novas infecções por HIV e as mortes relacionadas à aids atingiram os menores níveis globais em 2025, de acordo com relatórios divulgados nesta segunda-feira (27) pelo Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids (Unaids). No entanto, a organização alerta que a queda no financiamento para prevenção e tratamento ameaça reverter esse progresso. Em todo o mundo, foram registradas 1,2 milhão de novas infecções pelo HIV, uma redução de cerca de 40% desde 2010, enquanto o número de mortes por aids no ano passado chegou a 570 mil.
Avanço global com exceções preocupantes
Apesar da tendência positiva global, o relatório da Unaids revela que o número de novos casos cresceu em 21 países e três regiões do mundo. O Brasil está entre esses países. Em resposta, o país aumentou o acesso a medicamentos de prevenção em 41%, segundo a organização.
O documento foi divulgado antes da abertura da 26ª Conferência Internacional de Aids, maior evento global sobre a doença, que começou nesta segunda-feira (27) no Rio de Janeiro. Esta é a primeira edição da conferência no Brasil.
Ciência avançou, mas acesso é o gargalo
A diretora-executiva da Unaids, Winnie Byanyima, ressaltou que o fim da epidemia de aids já não é apenas uma aspiração, mas um feito alcançável, graças às inovações científicas, especialmente a profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável, que pode prevenir a infecção em pessoas saudáveis por até seis meses.
"Essa é uma das maiores oportunidades que nós temos de acabar com a epidemia. Mas avanços científicos isolados não vão acabar com a aids. Inovação sem acesso não é inovação, e, sim, injustiça. Esses medicamentos continuam fora de alcance para a maioria das pessoas que precisam deles", enfatizou.
A Unaids estima que 20 milhões de pessoas precisam ter acesso à PrEP injetável de longa duração para que o mundo consiga alcançar a nova meta de acabar com a aids como ameaça de saúde pública até 2030. O compromisso foi firmado pelos países-membros das Nações Unidas há algumas semanas.
"Isso significa preços acessíveis, competição via genéricos, fabricação regional, transferência de tecnologia, rápida introdução dentro dos programas nacionais", ressalvou Winnie.
"A ciência fez o seu trabalho, agora, a política precisa fazer o dela. A pergunta não é mais se a gente consegue acabar com a aids, e, sim, se nós escolheremos acabar com a aids. Se isso for realmente implementado, podemos prevenir 3,2 milhões de novas infecções, e 1,3 milhão de mortes relacionadas à aids", complementou a diretora-geral da Unaids.
Financiamento em queda ameaça tratamento e prevenção
O primeiro passo para garantir o acesso é a recomposição dos investimentos globais no tratamento e na prevenção do HIV, defende o programa das Nações Unidas. Os recursos do principal programa de assistência aos países de baixa renda, o Overseas Development Assistance (ODA), caíram 23% em 2025, afetando fortemente os programas de HIV. Alguns países africanos dependem desses recursos para mais de 90% das ações relacionadas à epidemia.
Isso impacta a oferta de novas tecnologias de prevenção, mas também o tratamento de pessoas já infectadas. Em 2025, uma a cada cinco pessoas vivendo com HIV no mundo não estava em tratamento, proporção que sobe para quase metade entre as crianças.
Discriminação e criminalização como barreiras
Outro aspecto destacado pela Unaids é o recrudescimento da discriminação contra pessoas LGBTI+ e populações vulneráveis, como trabalhadores sexuais e usuários de entorpecentes. Pela primeira vez, a criminalização de pessoas que se relacionam com outras do mesmo sexo aumentou em 2025 ao invés de diminuir, chegando a 66 países.
A organização também identificou 14 países que criminalizam pessoas trans, além de 168 países onde diferentes aspectos do trabalho sexual são proibidos, e 152 que punem a posse de pequenas quantidades de drogas.
"Quando as pessoas temem a prisão, a violência, a discriminação, o estigma, elas evitam os serviços de saúde. O HIV se espalha quando direitos são negados. Os direitos humanos não estão separados da resposta ao HIV, eles são a resposta ao HIV", destacou a diretora-executiva da Unaids.
Perguntas Frequentes
Por que as infecções e mortes por HIV caíram em 2025?
Segundo a Unaids, as reduções se devem a inovações científicas como a PrEP injetável e ao aumento do acesso a tratamento, embora o progresso seja desigual.
Quantas novas infecções por HIV foram registradas em 2025?
Foram 1,2 milhão de novas infecções, uma queda de cerca de 40% em relação a 2010.
Quantas mortes por aids ocorreram em 2025?
O número de mortes por aids no ano passado chegou a 570 mil.
Qual o principal risco para os avanços contra o HIV?
A queda de 23% nos recursos do programa ODA, que afeta especialmente países africanos que dependem desses fundos para mais de 90% das ações.
O que é a PrEP injetável e por que é importante?
É uma profilaxia pré-exposição que pode prevenir a infecção por HIV por até seis meses. A Unaids estima que 20 milhões de pessoas precisam ter acesso a ela para alcançar a meta de 2030.
Quantos países criminalizam a homossexualidade em 2025?
Pela primeira vez, o número subiu para 66 países, segundo a Unaids.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.