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Cesárea aumenta risco de câncer de placenta após mola gestacional: estudo da UFRJ

ResumoEstudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificou que mulheres com histórico de cesariana apresentam 45% mais risco de desenvolver neoplasia trofoblástica gestacional, um câncer raro da placenta. A pesquisa analisou dados de 2.904 pacientes e controlou outros fatores de risco. A cicatriz cirúrgica da cesárea é apontada como possível causa da associação.

Pesquisadores da UFRJ identificaram que mulheres com histórico de cesariana têm 45% mais risco de desenvolver neoplasia trofoblástica gestacional, um câncer raro da placenta. O estudo, que analisou dados de 2.904 pacientes, controlou outros fatores e aponta a cicatriz cirúrgica c

Escrito por Renata Bello · Atualizado em 26 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico Método Fit 30Equipe médica revisora

Resumo rápido

  • Pesquisadores da UFRJ identificaram que mulheres com histórico de cesariana têm 45% mais risco de desenvolver neoplasia trofoblástica gestacional, um câncer raro da placenta.
  • O estudo, que analisou dados de 2.904 pacientes, controlou outros fatores e aponta a cicatriz cirúrgica c
Cesárea aumenta risco de câncer de placenta após mola gestacional: estudo da UFRJ

A cesariana prévia aumenta em 45% o risco de desenvolver neoplasia trofoblástica gestacional, um tipo raro de câncer que surge a partir de células da placenta. A conclusão é de um estudo liderado por pesquisadores da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Sim, há evidência de que a cesárea aumenta o risco de câncer de placenta após mola gestacional. Um estudo liderado pela UFRJ mostrou que mulheres com cesariana prévia têm 45% mais risco de desenvolver neoplasia trofoblástica gestacional. Entre as com histórico de cesárea, 26,5% desenvolveram o câncer, contra 20,8% das sem esse histórico.

O que é neoplasia trofoblástica gestacional

A neoplasia trofoblástica é a consequência mais grave da doença trofoblástica, conhecida como mola gestacional. Ela ocorre quando a fertilização anormal entre óvulo e espermatozoide gera uma estrutura placentária anômala, algumas vezes sem feto (mola completa), outras com um feto inviável (mola parcial).

Em até 20% dos casos, células da mola se alojam no útero e evoluem para o câncer de placenta. No Brasil, a incidência de doença trofoblástica é de um caso a cada 200 a 400 gestantes, com cerca de 2,9 mil registros de neoplasia por ano.

Fatores de risco já conhecidos

Antes do estudo, já se sabia que o risco de neoplasia é maior em casos de mola completa, em pacientes com mais de 40 anos, em mulheres com níveis muito elevados do hormônio HCG ou que já tenham vivido episódios anteriores de mola completa e cistos nos ovários.

Como o estudo foi feito

A ideia de investigar a relação entre cesáreas e câncer de placenta surgiu após a publicação de um estudo semelhante feito na Coreia do Sul, mas com poucas pacientes, como explica a líder da pesquisa, Gabriela Paiva.

A Maternidade Escola da UFRJ, ligada à rede HU Brasil e ao SUS, abriga o Ambulatório de Doença Trofoblástica Gestacional, terceiro maior centro de pesquisa e atendimento de mola do mundo. Cerca de 80 pacientes com mola são atendidas por semana na unidade.

A pesquisa foi feita em parceria com o Centro de Doença Trofoblástica da Nova Inglaterra, ligado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Foram analisados dados de 2.904 pacientes atendidas entre 2002 e 2022, sendo 83,9% sem histórico de cesárea e 468 com ao menos uma cirurgia do tipo.

Resultados: cesárea como fator independente

Entre as mulheres que já tinham sido submetidas à cesariana, 26,5% desenvolveram o câncer, contra 20,8% daquelas sem esse histórico. Todos os outros fatores que pudessem contribuir para o resultado foram controlados, mostrando que a cirurgia prévia aumenta o risco de forma independente.

A principal hipótese dos pesquisadores é que o corte do útero durante a cesariana desregule o sistema imunológico da mulher, além de forçar o remodelamento dos vasos sanguíneos e causar fibrose. "A cicatriz da cesárea é uma área frágil dentro do útero. Então, é como se fosse uma porta de entrada para a mola", complementa Gabriela Paiva.

Contexto brasileiro e impacto da redução de cesáreas

O coordenador do ambulatório, Antônio Braga, destaca a importância do achado no Brasil, que lidera as taxas mundiais de cesárea. Enquanto a OMS preconiza que 15% dos nascimentos devem ocorrer por via cirúrgica, essa proporção chega a 55% no país.

O estudo estima que uma redução de 20 pontos percentuais na taxa de cesarianas, chegando a 35%, poderia evitar aproximadamente 177 casos de câncer por ano, uma redução de 6,1% na incidência anual estimada da doença.

Recomendações dos pesquisadores

Apesar da força da correlação, os pesquisadores não recomendam que mulheres com histórico de cesariana passem por tratamento mais agressivo caso desenvolvam a neoplasia. A principal recomendação é que elas sejam acompanhadas com maior vigilância desde o diagnóstico da mola.

"A neoplasia trofoblástica gestacional pós-molar deve ser considerada uma possível consequência de longo prazo do parto cesáreo prévio", ao lado de outros desfechos adversos como risco de ruptura uterina, espectro da placenta acreta e parto prematuro, defendem os autores.

Atualmente, a conduta nos casos de câncer envolve o esvaziamento do útero por aspiração, sessões de quimioterapia e monitoramento do hormônio HCG. A histerectomia só é recomendada em casos específicos.

Perguntas Frequentes

A cesárea pode causar câncer de placenta?

Sim, o estudo da UFRJ mostra que a cesariana prévia aumenta em 45% o risco de neoplasia trofoblástica gestacional, um tipo raro de câncer de placenta que surge após mola gestacional.

O que é mola gestacional?

É uma doença trofoblástica que ocorre quando a fertilização anormal gera uma estrutura placentária anômala, podendo ser completa (sem feto) ou parcial (com feto inviável).

Quantas mulheres desenvolvem câncer após mola?

Em até 20% dos casos, células da mola evoluem para neoplasia trofoblástica gestacional. No Brasil, são cerca de 2,9 mil registros por ano.

Mulheres com cesárea precisam de tratamento diferente?

Não. Os pesquisadores não recomendam tratamento mais agressivo, mas sim maior vigilância desde o diagnóstico da mola.

Qual a taxa de cesárea no Brasil?

55%, enquanto a OMS recomenda 15%. O país lidera as taxas mundiais de cesariana.

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Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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