Saúde mental após perda gestacional exige atenção de profissionais
A saúde mental após perda gestacional ainda é negligenciada, segundo a Febrasgo. Especialistas explicam sintomas, quando buscar ajuda e a importância do acolhimento.
Resumo rápido
- A saúde mental após perda gestacional ainda é negligenciada, segundo a Febrasgo.
- Especialistas explicam sintomas, quando buscar ajuda e a importância do acolhimento.
A saúde mental após perda gestacional, uma interrupção involuntária da gravidez que pode ocorrer até a 20ª semana, ainda é negligenciada, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Neste Setembro Amarelo, a associação alerta para a necessidade de atenção dos profissionais de saúde e do acolhimento de familiares e amigos.
A saúde mental após perda gestacional exige atenção de profissionais e acolhimento de familiares e amigos. Segundo a Febrasgo, o cuidado ainda é negligenciado. Especialistas apontam que o sofrimento é esperado, mas a paralisia da vida não. Serviços como o CVV oferecem apoio gratuito pelo telefone 188.
Kalyane Ribeiro, 34 anos, de Manaus, viveu a perda gestacional precoce aos 32, após um ano e meio de tentativas. Ela conta que o luto foi ignorado por pessoas próximas. "As pessoas do mundo real, aqui fora, elas não querem saber. Você só escuta um 'você vai ter que tentar de novo, vai dar certo'", relata. Ela encontrou acolhimento em comunidades online, onde mulheres trocam experiências, e lançou o livro "Ainda me Sinto Mãe".
O obstetra Romulo Negrini, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério da Febrasgo, ressalta que a perda é um evento traumático. "Independentemente da idade gestacional, a perda pode provocar tristeza profunda, sensação de vazio, culpa, ansiedade, dificuldade para dormir, irritabilidade e perda do interesse pelas atividades do dia a dia." Ele explica que sofrer intensamente é uma reação humana esperada e não significa, por si só, doença psiquiátrica.
Segundo o obstetra Eduardo Felix Martins Santana, da Febrasgo e professor da Unifesp, entre 15% e 20% das gestações não evoluem. Ele defende uma postura proativa dos médicos: "Se formos esperar a paciente retornar ao consultório quando já está deprimida, vamos perder muita gente".
A psiquiatra Andréa Cristina Galastri explica que a queda hormonal, semelhante a uma TPM ampliada, dura cerca de 15 dias e intensifica a sensibilidade. O quadro se agrava quando a mulher para de comer, não dorme e o choro persiste por mais de um mês. "O sofrimento é esperado e é natural. Mas a paralisia da vida, não", afirma. Nesses casos, a indicação é psicoterapia e medicação.
Pessoas com pensamentos de acabar com a própria vida devem buscar acolhimento na rede de apoio e em serviços de saúde. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente, sob sigilo, pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.