Bem-estar

Olho seco: telas reduzem ato de piscar em crianças

ResumoO olho seco em crianças e adolescentes é agravado pelo uso prolongado de telas próximas ao rosto, que reduz a frequência do piscar e compromete a lubrificação ocular. Oftalmologistas alertam que o uso de celular no quarto, com pouca luz, intensifica o problema, conforme debate no 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia.

Oftalmologista alerta que telas muito próximas ao rosto reduzem a frequência do piscar e provocam olho seco em crianças e adolescentes. Uso de celular no quarto, com pouca luz, agrava o quadro, segundo debate no 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia.

Escrito por Renata Bello · Atualizado em 10 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico Método Fit 30Equipe médica revisora

Resumo rápido

  • Oftalmologista alerta que telas muito próximas ao rosto reduzem a frequência do piscar e provocam olho seco em crianças e adolescentes.
  • Uso de celular no quarto, com pouca luz, agrava o quadro, segundo debate no 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia.
Olho seco: telas reduzem ato de piscar em crianças

O uso excessivo de celulares e tablets entre crianças e adolescentes pode reduzir a frequência de um hábito simples e involuntário, o de piscar. O resultado aparece cada vez mais nos consultórios de oftalmologia pediátrica: casos popularmente conhecidos como olho seco.

A condição é caracterizada pela falta de lubrificação adequada na superfície ocular, decorrente de produção insuficiente de lágrimas ou de sua evaporação excessiva. Entre os sintomas estão sensação de areia nos olhos, ardência, coceira, vermelhidão e visão embaçada.

A oftalmologista Ana Paula Silverio explica o mecanismo: ao permanecermos muitas vezes por horas na frente do celular ou do tablet, com telas posicionadas muito próximas ao rosto e aos olhos, a frequência do piscar diminui, levando à evaporação das lágrimas e à sensação de secura ocular.

"As mães trazem a criança ou o adolescente com essa queixa, que começou a piscar mais, além de uma sensação de desconforto", explicou, ao participar de debate durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), que está sendo realizado em Salvador até o próximo sábado (12).

Adolescentes e celular no quarto: risco maior

Para Ana Paula, o risco é ainda maior entre adolescentes, que passam boa parte do tempo de tela em frente a celulares, a menor das telas e a que mais tem potencial para prejudicar a visão. Outro agravante: o uso do celular, entre adolescentes, geralmente ocorre dentro do quarto, com pouca ou nenhuma iluminação.

"Os adolescentes passam muito mais tempo no celular. Nas escolas, eles já fazem a maior parte dos estudos no tablet ou no computador. Voltam para casa e usam o celular no horário recreativo. A gente ainda vê os pequenos brincando, mas com os adolescentes é mais difícil. Os pais já chegam falando: 'Doutora, fala pra ele que não pode usar o celular assim'", contou.

Limite recomendado: até duas horas diárias de telas

"A gente vive essa era. Só se a gente mandar uma criança ou adolescente pra Marte, pra que ele não tenha contato com o celular. Mas temos sim que tentar diminuir o tempo de uso", reforçou a oftalmologista, citando o número máximo de duas horas diárias de telas, conforme recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria para crianças acima de 6 anos e para adolescentes.

O alerta foi feito durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), em Salvador, evento que reúne especialistas para discutir casos e condutas em saúde ocular. A repórter viajou a convite do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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