# Unicef: 13,5 milhões de crianças zero-dose em 2025 - fatores de risco

> O relatório do Unicef de julho de 2026 indica que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025. O número representa um avanço em relação a 2024, mas mantém o índice de crianças zero-dose em patamar elevado.

*Método Fit 30 · Prevencao · 21 de julho de 2026 · Renata Bello*

Relatório do Unicef divulgado em julho de 2026 mostra que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025. O número, embora represente avanço em relação a 2024, mantém o índice de crianças zero-dose em patamar considerado alto, próxim

## Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

Em 2025, 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, segundo dados governamentais compilados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e divulgados nesta quarta-feira (15). Outras 7,3 milhões não tiveram o ciclo básico completo, que inclui três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP). O índice de crianças zero-dose é considerado alto pelo fundo, estando em patamar próximo ao observado em 2009.

## O avanço tímido na cobertura global

Os números representam um avanço em relação ao ano anterior. Em 2024, 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP, 750 mil a mais do que no ano anterior. O estudo Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional mostra, porém, que a manutenção do índice de crianças zero-dose aumenta o risco de surtos de doenças.

O abandono do ciclo de imunização ocorre principalmente antes da primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1). Dados do relatório indicam que 84% das crianças recebem a primeira dose, mas apenas 77% completam com a segunda dose (MCV2). O limite considerado seguro para imunização contra o sarampo é de 95%. Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos de sarampo no mundo, em surtos que atingiram 57 países.

## O mapa da desigualdade vacinal

Os dados compilados foram enviados pelos governos de 195 países. Desse total, 100 mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da DTP desde 2019. Entre os países que estavam abaixo desse patamar em 2019, 30 conseguiram melhorar as taxas nos últimos seis anos. Por outro lado, 65 países permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade.

Mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais abriguem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. "Nesses cenários, os programas de imunização frequentemente enfrentam desafios relacionados à instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico", detalha o levantamento.

## Fatores de risco em países de renda média e alta

A diminuição da cobertura também ocorre em países de renda média e alta. As causas incluem mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal. Dois exemplos destacados foram o da cobertura da DTP1. Na África do Sul, o índice caiu 20 pontos percentuais desde 2019 e continuou diminuindo em 2025. Na Bósnia e Herzegovina, apresentou queda de 23 pontos percentuais no último ano, após registrar o maior aumento da cobertura da MCV1 da região em 2024. Ambos estão em regiões estáveis e apresentam melhora sustentada de outros índices de acesso à saúde.

## Brasil na contramão, mas com ressalvas

O Brasil tem ido na contramão desses países, com melhora da cobertura vacinal constante e redução do número de crianças zero-dose, estimadas em 50 mil no país. Das principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice (DTP-3) mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%. Os dados nacionais, porém, são alvo de uma crítica específica: a ausência de levantamento independente sobre o tema nos últimos 5 anos, ação recomendada pela OMS e pelo Unicef para garantir a qualidade dos dados.

## Cortes de financiamento e o futuro da imunização

O estudo informa que as bases que possibilitaram o progresso estão sob forte pressão, com recentes cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Segundo os dados, apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas neste ciclo, em comparação com 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019.

"Governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a forte queda observada durante a pandemia de Covid-19. Milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza", afirmou em nota Catherine Russell, diretora executiva do Unicef. Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da Organização Mundial de Saúde, complementou: "Os níveis históricos de imunização observados nos países de menor renda mostram o que pode ser alcançado quando todas as partes trabalham juntas em torno de um objetivo comum. O grande desafio será manter esse impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes." vacinação infantil no Brasil cobertura vacinal DTP

## Perguntas Frequentes

### Quantas crianças não receberam vacina no primeiro ano de vida em 2025?

13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina, segundo o Unicef.

### O que significa "criança zero-dose"?

São crianças que não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida.

### Qual a cobertura segura para o sarampo?

O limite considerado seguro é de 95% de imunização.

### Quantos casos de sarampo foram registrados em 2025?

Mais de 411 mil casos, em surtos que atingiram 57 países.

### O Brasil melhorou a cobertura vacinal?

Sim, o Brasil reduziu o número de crianças zero-dose para 50 mil, mas o ciclo completo da DTP-3 ainda está baixo, em 86%.

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Fonte (canonical): https://metodofit30.com.br/prevencao/unicef-135-milhoes-criancas-nao-recebem-vacina-1-ano-vida-1784590803549/
