# SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

> O Sistema Único de Saúde (SUS) adquiriu a tecnologia para produzir o dolutegravir, principal antirretroviral contra o HIV. A medida reduzirá custos e ampliará o acesso ao tratamento no Brasil, fortalecendo a política de assistência farmacêutica e a autonomia nacional na produção de medicamentos essenciais.

*Método Fit 30 · Prevencao · 15 de julho de 2026 · Renata Bello*

O SUS acaba de dar um passo histórico: adquiriu a tecnologia para produzir o dolutegravir, principal antirretroviral contra o HIV. A medida promete reduzir custos e ampliar o acesso ao tratamento no Brasil. Saiba como isso funciona e quais os impactos.

## SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

O Ministério da Saúde anunciou que o Sistema Único de Saúde (SUS) adquiriu a tecnologia para produzir o dolutegravir, antirretroviral de primeira linha no tratamento do HIV. A transferência de tecnologia, firmada com laboratórios parceiros, permitirá a fabricação nacional do medicamento, reduzindo a dependência de importação e os custos para o sistema público. A expectativa é que a produção local comece em até dois anos.

O dolutegravir é o principal remédio contra o HIV no Brasil. Desde 2017, ele integra o protocolo clínico do SUS como primeira opção para adultos e adolescentes, substituindo esquemas mais antigos e com mais efeitos colaterais. A droga age inibindo a enzima integrase do vírus, impedindo sua replicação. Com a produção nacional, o SUS projeta economizar cerca de R$ 300 milhões por ano, segundo estimativas oficiais.

## Como funciona a transferência de tecnologia

A transferência de tecnologia é um mecanismo previsto na Lei de Propriedade Industrial (Lei 9.279/96) que permite que laboratórios públicos brasileiros, como a Fiocruz e o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), adquiram o conhecimento para fabricar medicamentos patenteados. No caso do dolutegravir, o acordo foi negociado com a farmacêutica detentora da patente, a ViiV Healthcare, e envolve o repasse de know-how para síntese do princípio ativo e desenvolvimento da formulação.

O processo inclui etapas como:

- Treinamento de equipes técnicas
- Adaptação de plantas fabris
- Registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
- Controle de qualidade e biodisponibilidade

## Impacto no tratamento do HIV

O Brasil tem hoje cerca de 700 mil pessoas vivendo com HIV, das quais mais de 600 mil estão em tratamento antirretroviral. O dolutegravir é usado em esquema de dose única diária, o que simplifica a adesão. A produção local garante que o medicamento chegue a todos os pacientes sem risco de desabastecimento.

Dados do Ministério da Saúde indicam que a taxa de supressão viral entre pacientes em tratamento com dolutegravir supera 90%, um dos melhores índices globais. Isso significa que a carga viral fica indetectável, interrompendo a transmissão do HIV, conceito conhecido como "indetectável = intransmissível" (I=I).

## Economia para o SUS e soberania nacional

A produção nacional do dolutegravir representa uma economia direta de aproximadamente R$ 300 milhões por ano, valor que pode ser reinvestido em outras áreas da saúde. Além disso, reduz a dependência de fornecedores externos, garantindo autonomia em um insumo estratégico.

O modelo de transferência de tecnologia já foi usado com sucesso para outros medicamentos, como o tenofovir e o atazanavir, também usados no tratamento do HIV. A experiência acumulada pela Fiocruz e pela Farmanguinhos acelera o processo de nacionalização.

## Desafios e próximos passos

Apesar do avanço, há desafios. A produção em escala industrial exige investimentos em infraestrutura e controle de qualidade. A Anvisa precisará aprovar o registro do medicamento nacional, o que pode levar de 12 a 18 meses. O Ministério da Saúde estima que a produção local comece em até dois anos.

Outro ponto é a garantia de que o preço final ao SUS seja competitivo. A economia projetada depende de negociações futuras e da capacidade de produção dos laboratórios públicos.

## Perguntas Frequentes

### O que é o dolutegravir?

É um antirretroviral da classe dos inibidores da integrase, usado no tratamento do HIV. No Brasil, é o medicamento de primeira linha para adultos e adolescentes.

### Como o SUS adquiriu a tecnologia?

Por meio de um acordo de transferência de tecnologia com a ViiV Healthcare, detentora da patente. O processo envolve repasse de conhecimento para fabricação nacional.

### Quando a produção nacional começa?

A previsão do Ministério da Saúde é que a produção local comece em até dois anos, após registro na Anvisa e adaptação das plantas fabris.

### Qual a economia esperada?

Cerca de R$ 300 milhões por ano, segundo estimativas oficiais, valor que pode ser reinvestido em outras áreas da saúde.

### Quem será beneficiado?

Mais de 600 mil pacientes em tratamento antirretroviral pelo SUS, além de novos casos diagnosticados.

### O medicamento terá a mesma qualidade?

Sim. A produção seguirá os mesmos padrões de qualidade e biodisponibilidade do original, com controle da Anvisa.

Fiocruz e a produção de antirretrovirais Protocolo clínico de HIV no SUS Como funciona a transferência de tecnologia

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Fonte (canonical): https://metodofit30.com.br/prevencao/sus-adquire-tecnologia-produzir-principal-remedio-contra-hiv-3/
