# SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

> O Ministério da Saúde do Brasil adquiriu tecnologia para produção nacional do dolutegravir, principal medicamento contra o HIV no SUS. A transferência tecnológica reduz a dependência de importação e garante abastecimento contínuo aos pacientes. A medida fortalece a autonomia farmacêutica nacional e assegura tratamento gratuito e sustentável contra o HIV.

*Método Fit 30 · Prevencao · 17 de julho de 2026 · Henrique Pádua*

O Ministério da Saúde anunciou a aquisição de tecnologia para produção nacional do dolutegravir, principal remédio contra o HIV. A medida reduz dependência externa e garante abastecimento contínuo aos pacientes do SUS.

O Ministério da Saúde firmou acordo de transferência tecnológica para produzir nacionalmente o dolutegravir, principal antirretroviral usado contra o HIV no SUS. A medida visa reduzir a dependência de importações e garantir abastecimento contínuo a mais de 600 mil pacientes em tratamento no país.

Segundo o Ministério da Saúde, o dolutegravir é o medicamento de primeira linha no tratamento do HIV, adotado desde 2017 como padrão no SUS. A produção local deve ocorrer em parceria com laboratório público, como Farmanguinhos ou Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz).

### Como funciona a transferência de tecnologia

A transferência de tecnologia ocorre por meio de Parceria para Desenvolvimento Produtivo (PDP). O laboratório detentor da patente repassa o know-how de síntese e formulação a um laboratório público brasileiro. Em troca, garante mercado exclusivo por período determinado.

No caso do dolutegravir, a patente original pertence à farmacêutica ViiV Healthcare. O acordo de PDP foi firmado em 2024, com previsão de produção nacional iniciando em 2026 (Ministério da Saúde, nota técnica PDP HIV, 2024).

O processo inclui:

- Transferência de documentação técnica e know-how
- Treinamento de equipes brasileiras
- Adaptação da linha de produção
- Testes de bioequivalência
- Registro na Anvisa

### Impacto no tratamento de pacientes

Mais de 650 mil pessoas vivem com HIV no Brasil e recebem medicamentos pelo SUS (Ministério da Saúde, Boletim Epidemiológico HIV/Aids, 2024). O dolutegravir é usado em combinação com outros antirretrovirais, como tenofovir e lamivudina.

A produção local reduz o risco de desabastecimento, uma preocupação constante em gestão de saúde pública. Em 2023, o Brasil enfrentou atrasos na entrega de insumos farmacêuticos importados, afetando o estoque de alguns medicamentos.

Para o paciente, a mudança é imperceptível: o comprimido continua o mesmo, com mesma dosagem e eficácia. A diferença está na garantia de acesso e na possibilidade de ampliação do tratamento para populações vulneráveis.

### Economia para o SUS

O custo anual com aquisição de dolutegravir pelo SUS gira em torno de R$ 300 milhões, considerando compras internacionais (Ministério da Saúde, dados abertos de compras, 2024). Com produção nacional, a estimativa é de redução entre 20% e 40% nos gastos.

A economia pode ser reinvestida em outras frentes: compra de novos medicamentos, ampliação de testes rápidos ou fortalecimento de campanhas de prevenção.

### Desafios e prazos

A produção local enfrenta desafios técnicos e regulatórios. A síntese do dolutegravir exige controle de qualidade rigoroso para garantir biodisponibilidade idêntica ao original. A Anvisa exige estudos de bioequivalência antes de aprovar o medicamento genérico.

O cronograma estimado:

- 2025: conclusão da transferência de tecnologia
- 2026: início da produção em escala piloto
- 2027: produção em escala industrial e distribuição

### Parcerias e laboratórios envolvidos

Farmanguinhos (Fiocruz) é o principal laboratório público candidato a produzir o dolutegravir. A instituição já tem experiência em PDPs similares, como a produção de tenofovir e efavirenz.

Outros laboratórios públicos, como o Instituto Butantan e a Fundação Ezequiel Dias (Funed), também podem participar de etapas da cadeia produtiva.

### Prevenção e perspectivas futuras

A produção nacional do dolutegravir abre portas para outras iniciativas. O mesmo modelo de PDP pode ser aplicado a medicamentos de prevenção, como a profilaxia pré-exposição (PrEP), que usa combinação de tenofovir e entricitabina.

O Brasil também negocia a transferência de tecnologia para o cabotegravir injetável, antirretroviral de ação prolongada aplicado a cada dois meses, ainda em fase de incorporação ao SUS.

## Perguntas Frequentes

### O que é o dolutegravir?

Dolutegravir é um antirretroviral da classe dos inibidores de integrase, usado como primeira linha no tratamento do HIV. Ele impede que o vírus se integre ao DNA das células humanas.

### Por que o SUS precisa produzir o remédio localmente?

Para reduzir dependência de importações, garantir abastecimento contínuo e diminuir custos com aquisição de medicamentos patenteados.

### Quando começa a produção nacional?

A produção em escala piloto está prevista para 2026, com distribuição em larga escala a partir de 2027.

### O paciente vai receber um remédio diferente?

Não. O medicamento nacional terá a mesma composição, dosagem e eficácia que o importado. A diferença está no local de fabricação.

### A produção nacional afeta a qualidade do tratamento?

Não. A Anvisa exige testes de bioequivalência para garantir que o genérico tenha o mesmo efeito que o original. O controle de qualidade é rigoroso.

### Quanto o SUS vai economizar?

Estima-se redução entre 20% e 40% nos custos anuais com aquisição do dolutegravir, atualmente em torno de R$ 300 milhões.

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Fonte (canonical): https://metodofit30.com.br/prevencao/sus-adquire-tecnologia-produzir-principal-remedio-contra-hiv-18/
