# Fiocruz e farmacêutica MSD assinam acordo sobre novo antirretroviral Alimatravir

> A Fiocruz e a farmacêutica MSD assinaram um memorando de entendimento para a produção do Alimatravir, um novo antirretroviral oral mensal contra HIV. O medicamento está em fase 3 de estudos clínicos e depende de aprovação da Anvisa. O acordo foi firmado durante a 26ª Conferência.

*Método Fit 30 · Prevencao · 28 de julho de 2026 · Sofia Marinho*

A Fiocruz e a farmacêutica MSD assinaram um memorando de entendimento para a produção do Alimatravir, um novo antirretroviral oral mensal contra HIV. O medicamento ainda está em fase 3 de estudos clínicos e depende de aprovação da Anvisa. O acordo foi firmado durante a 26ª Confer

## Fiocruz e farmacêutica assinam acordo sobre novo antirretroviral: o que se sabe até agora

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a farmacêutica privada MSD assinaram um memorando de entendimento para viabilizar a produção, no Brasil, de um novo medicamento contra o HIV. O documento foi firmado nesta terça-feira (28), durante a 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro. O acordo, no entanto, ainda depende de etapas científicas e regulatórias antes que o remédio chegue à população.

O Alimatravir (MK-8527) é um medicamento do tipo Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), ou seja, deve ser administrado antes do contato com o HIV para começar a agir antes da infecção das células. Ele pertence à classe dos NRTTI (inibidores da translocação da transcriptase reversa análogo de nucleosídeo) e atua bloqueando a ação da enzima transcriptase reversa, impedindo a replicação viral.

## O que é o Alimatravir e como ele funciona contra o HIV

O HIV é um retrovírus que tem o RNA como material genético e carrega consigo a enzima transcriptase reversa. Depois que o vírus entra no linfócito T, uma célula do sistema imunológico, a transcriptase transforma o RNA em DNA. Com a ajuda de outra enzima, a integrase, o material genético do HIV se insere no genoma da pessoa infectada. A partir daí, o vírus usa o mecanismo da célula humana para se replicar e se espalhar pelo organismo.

O Alimatravir impede a ação da transcriptase reversa, bloqueando essa cadeia de replicação. "De uma maneira bem simples, ele impede que o vírus se replique", afirmou a diretora médica da MSD no Brasil, Márcia Abadi.

## Estudos clínicos ainda em andamento

O remédio ainda está sendo desenvolvido pela farmacêutica e precisa ser aprovado no estudo clínico de fase 3, que avalia a eficácia em um grupo grande de voluntários. Esse estudo está em andamento. Além disso, o uso no país ainda precisará de aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

"A vantagem é que a Fiocruz já participa ativamente [dos estudos] com esse memorando. Isso faz com que a gente tenha acesso mais rápido aos dados, possa apresentar mais rapidamente para a Anvisa e a Anvisa possa acompanhar, antecipadamente, os estudos clínicos. Isso pode fazer com que a gente tenha o registro mais rápido no Brasil", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

## O que diferencia o Alimatravir das opções atuais do SUS

O SUS já oferece como profilaxia pré-exposição o uso combinado dos antirretrovirais orais Tenofovir e Entricitabina diariamente (PrEP diário) ou em doses antes e depois do ato sexual (PrEP sob demanda). Além disso, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) avaliará a inclusão de um PrEP injetável, administrado a cada dois meses, o Cabotegravir.

O Alimatravir é um comprimido oral pequeno, com periodicidade mensal. "A inovação vem no sentido de trazer mais comodidade para a pessoa que vai se prevenir contra a infecção pelo vírus HIV", explicou o diretor de Relações Institucionais da MSD no Brasil, Rodrigo Cruz.

## O caminho até a produção nacional

Segundo o ministro Alexandre Padilha, se o Alimatravir "tiver um bom resultado nos seus estudos clínicos finais e conseguir garantir o seu registro, vamos trabalhar para que, para ser incluído no SUS, haja transferência de tecnologia para a Fiocruz, para a Fiocruz produzir aqui no Brasil para o SUS e poder produzir também para toda a América Latina".

Isso significa que, mesmo com o acordo assinado, o medicamento ainda precisa superar obstáculos científicos (fase 3), regulatórios (aprovação da Anvisa) e de incorporação (avaliação da Conitec). A transferência de tecnologia para a Fiocruz só ocorrerá após essas etapas.

medicamentos antirretrovirais no SUS

## Perguntas Frequentes

### O Alimatravir já está disponível no Brasil?

Não. O medicamento ainda está em fase 3 de estudos clínicos e precisa ser aprovado pela Anvisa antes de qualquer uso no país.

### Qual a diferença entre o Alimatravir e os outros PrEPs?

O Alimatravir é um comprimido oral de uso mensal, enquanto os PrEPs atuais do SUS são diários ou sob demanda. Também há um injetável bimestral em avaliação.

### Quando o Alimatravir pode chegar ao SUS?

Não há prazo definido. Depende da conclusão dos estudos clínicos, aprovação da Anvisa e avaliação da Conitec. O acordo prevê transferência de tecnologia para a Fiocruz, mas só após essas etapas.

### A Fiocruz vai produzir o Alimatravir no Brasil?

Sim, se o medicamento for aprovado e incorporado ao SUS. O memorando de entendimento prevê transferência de tecnologia para que a Fiocruz produza o remédio para o Brasil e para a América Latina.

### O que é a classe NRTTI?

São inibidores da translocação da transcriptase reversa análogo de nucleosídeo, que bloqueiam a ação da enzima transcriptase reversa do HIV, impedindo a replicação viral.

como funciona a PrEP

Anvisa e aprovação de medicamentos

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Fonte (canonical): https://metodofit30.com.br/prevencao/fiocruz-farmaceutica-assinam-acordo-sobre-novo-antirretroviral/
