# Mola gestacional: entenda o tumor que pode evoluir para câncer de placenta

> Mola gestacional é um tumor benigno que se desenvolve no útero durante a gestação, podendo evoluir para câncer de placenta em até 20% dos casos. Fatores de risco incluem idade materna avançada e histórico de abortos. Sintomas comuns são sangramento vaginal e aumento anormal do útero. Tratamento envolve remoção cirúrgica do tumor e acompanhamento médico rigoroso.

*Método Fit 30 · Prevencao · 26 de julho de 2026 · Renata Bello*

A mola gestacional é um tumor benigno que, em até 20% dos casos, pode evoluir para câncer de placenta. Entenda os fatores de risco, sintomas e tratamento.

A mola gestacional, nome popular da doença trofoblástica gestacional, é um tumor benigno que se forma na placenta após um erro de fertilização. Em até 20% dos casos, pode evoluir para um câncer de placenta maligno, como ocorreu com a terapeuta ocupacional Daiana Nascimento.

**O que é mola gestacional e como surge?**

Tudo começa com um erro de fertilização. Nos casos de mola incompleta, um espermatozoide com DNA duplicado ou dois espermatozoides fecundam um óvulo normal, gerando uma placenta imperfeita e um embrião com anomalias genéticas incompatíveis com a vida. Já na mola completa, um óvulo sem DNA é fecundado, resultando apenas em placenta anormal, sem embrião.

**Fatores de risco e incidência**

O professor de obstetrícia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Antônio Braga, que coordena o Ambulatório de Doença Trofoblástica Gestacional da Maternidade Escola da UFRJ, explica que uma em cada 200 a 400 mulheres que engravidam no Brasil desenvolve a doença. Nos Estados Unidos, a taxa é de uma a cada mil mulheres; na Inglaterra, de uma a cada duas mil. As suspeitas para essa diferença incluem fatores genéticos, imunológicos e alimentares, mas nada está bem estabelecido.

**Sintomas e diagnóstico**

A maioria das pacientes descobre a mola ao fazer um ultrassom de rotina após constatar a gestação. O diagnóstico é confirmado por exame histopatológico, que determina se a mola é parcial ou completa. O acompanhamento inclui medição periódica do HCG, hormônio produzido na gestação. "Esse é o único câncer da espécie humana que o diagnóstico não é histopatológico, não se faz biopsia. O diagnóstico é dado pelo hormônio da gravidez", explica Braga.

**Risco de evolução para câncer**

Entre mulheres com mola parcial, menos de 5% desenvolvem câncer de placenta. Já na mola completa, uma em cada cinco pacientes evoluem para o tumor maligno. Em casos mais agressivos, pode haver metástase, principalmente no pulmão. O tratamento do câncer é feito com quimioterapia.

**Tratamento e acompanhamento**

A retirada da mola por aspiração uterina é o primeiro passo. Depois, a paciente passa por consultas periódicas para avaliar os níveis de HCG. Se o hormônio não cair após a interrupção da gravidez, é sinal de que as células migraram para o útero. "Grande parte das mulheres que são adequadamente tratadas se curam. E, uma vez curadas, podem inclusive engravidar novamente", afirma Braga.

Pacientes mais velhas, que já tiveram filhos ou não pretendem tê-los, podem receber recomendação de histerectomia, a retirada cirúrgica do útero. Foi o caso de Mônica Rosa do Amaral Pelizari, que descobriu a mola após um abortamento espontâneo aos 45 anos.

**Apoio psicológico e logístico**

O ambulatório da Maternidade Escola atende cerca de 80 pacientes com mola por semana pelo SUS. Cerca de 30% têm plano de saúde, mas optam pelo tratamento público. O hospital oferece atendimento social e psicológico, além de musicoterapia. A médica Gabriela Paiva reforça: "Sempre, na primeira consulta, a gente frisa que isso acontece por acaso, que não é culpa dela e que ela não está sozinha".

**Perguntas Frequentes**

### O que causa a mola gestacional?

A mola gestacional é causada por um erro de fertilização, podendo ser completa (sem embrião) ou incompleta (com embrião inviável).

### Quais os sintomas da mola gestacional?

Os sintomas incluem sangramento uterino, alterações na tireoide e na pressão sanguínea. O diagnóstico é feito por ultrassom.

### Como é o tratamento da mola gestacional?

O tratamento envolve a retirada da mola por aspiração uterina e acompanhamento com medição do HCG. Se houver câncer, é feita quimioterapia.

### A mola gestacional pode voltar?

Após o tratamento, a paciente precisa fazer acompanhamento por pelo menos seis meses. Se curada, pode engravidar novamente.

### Quem tem mais risco de desenvolver mola gestacional?

Mulheres com idade avançada e histórico de abortamento espontâneo têm maior risco. No Brasil, a incidência é maior que em países como EUA e Inglaterra.

### A mola gestacional é hereditária?

Não. A doença ocorre por acaso, sem relação com fatores hereditários, segundo especialistas.

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Fonte (canonical): https://metodofit30.com.br/prevencao/entenda-mola-gestacional-pode-evoluir-cancer-placenta/
