# Câncer: melanoma fora da pele tem risco maior

> O melanoma é um tipo de câncer que pode surgir não apenas na pele, mas também no olho, em mucosas e em órgãos internos, conforme boletim da Fundação do Câncer. Essa forma menos frequente é mais agressiva e apresenta maior risco de metástase, exigindo diagnóstico precoce e acompanhamento especializado.

*Método Fit 30 · Prevencao · 15 de setembro de 2026 · Sofia Marinho*

Boletim da Fundação do Câncer aponta que melanoma pode surgir no olho, em mucosas e em órgãos internos, não só na pele. Tipo é menos frequente, mas mais agressivo e com maior risco de metástase.

Nem todo melanoma começa na pele. A Fundação do Câncer esclarece que esse tipo de neoplasia maligna tem origem nas células produtoras de melanina, os melanócitos, e também pode se manifestar em estruturas extracutâneas, ou extrapele: no olho, em mucosas como as da cavidade oral e em órgãos internos dos sistemas genital e digestório.

O melanoma extrapele é menos frequente, mas mais agressivo e letal, porque tem maior possibilidade de provocar metástase e se espalhar para tecidos e órgãos vizinhos. O alerta está na 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, com o título Melanoma: nem sempre na pele.

## O que o estudo da Fundação do Câncer mostra

A publicação, lançada neste mês, destaca que conhecer esse tipo de câncer é o primeiro passo para enfrentá-lo. "Para enfrentar o câncer, não basta tratar. É preciso conhecer. Conhecer para prevenir, diagnosticar mais cedo, planejar melhor os serviços de saúde e orientar políticas públicas capazes de salvar vidas", afirma o boletim.

Os dados vêm da plataforma info.oncollect, que integra coleta, organização e análise de registros hospitalares de oncologia. Um estudo epidemiológico com 42.255 casos avaliados aponta que 92,2% eram melanomas cutâneos, 5,7% oculares e 2,5% de mucosa.

Entre 1990 e 2021, considerando apenas os melanomas extrapele, foram registrados 1.324 novos casos no país: 523 em homens e 801 em mulheres. O olho foi a principal localização primária, com 75% dos casos extracutâneos, seguido pelos órgãos genitais (12,8%) e do sistema digestório (8,2%). Nos 993 casos de melanoma ocular analisados, 447 (45%) foram em homens e 546 (55%) em mulheres.

## Diagnóstico precoce e o gargalo do acesso

O consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, Alfredo Scaff, reforça que o controle da doença passa pelo diagnóstico o mais cedo possível. "O câncer é uma doença que tem cura quando diagnosticado e tratado precocemente", diz.

Pelo SUS, o padrão de tratamento do melanoma é a cirurgia da lesão primária e a remoção dos linfonodos envolvidos. Entre 2014 e 2023, a cirurgia foi o principal tratamento inicial para o melanoma de pele em todas as regiões, representando 84,7% dos procedimentos. O Sudeste lidera, com 89,6% dos casos, enquanto o Norte teve o menor percentual (64,4%).

A maior parte dos pacientes tratou a doença na própria região de residência. A exceção é o Centro-Oeste, onde 20,2% precisaram se deslocar, o que a Fundação do Câncer classifica como sinal de um importante gargalo de acesso à assistência especializada.

Sobre terapias, a Anvisa aprovou em 2016 os anti-PD-1 nivolumabe e pembrolizumabe, e mais recentemente o tebentafuspe, específico para melanoma ocular metastático ou inoperável. Em 2020, a Conitec aprovou a primeira imunoterapia no SUS para melanoma metastático, com dois agentes anti-PD1. Segundo Scaff, a resposta clínica saltou de menos de 10% dos pacientes em quimioterapia para até 70% em imunoterapia.

O coordenador de Assistência do Inca, Gélcio Mendes, pondera que, no melanoma extracutâneo, as evidências para uso de imunoterapia são escassas, "muitas sem nenhuma efetividade". Ele cita que estão em tramitação modificações no marco legal que preveem ampliação do programa de Assistência Farmacêutica em Oncologia no SUS (AF-Onco), com foco no acesso a esses agentes. Scaff acrescenta que o fluxo logístico de distribuição dos remédios de alta tecnologia ainda está em construção e depende de pactuação entre gestores.

O melanoma ocular, diferentemente do cutâneo, pode permanecer assintomático nas fases iniciais e passar despercebido, segundo a Fundação do Câncer.

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Fonte (canonical): https://metodofit30.com.br/prevencao/cancer-estudo-alerta-riscos-melanoma-fora-pele/
