# Acesso à saúde reduz perdas em comunidade do Amazonas

> A comunidade de Carauari, no Amazonas, reduziu perdas de vidas com a implementação de lanchas de resgate e Unidades Básicas de Saúde (UBS) fluviais. A falta de acesso à saúde causava tragédias na região. As soluções de transporte e atendimento médico aquático transformaram o cenário local, garantindo assistência emergencial e preventiva à população ribeirinha.

*Método Fit 30 · Prevencao · 27 de julho de 2026 · Renata Bello*

A falta de acesso à saúde causou tragédias em Carauari, no Amazonas. Com lanchas de resgate e UBS fluviais, o cenário mudou. Conheça histórias e soluções.

## Acesso à saúde reduz histórias de perdas em comunidade do Amazonas

O acesso à saúde em Carauari, no interior do Amazonas, transformou a realidade de comunidades ribeirinhas, reduzindo mortes e sequelas que antes eram comuns pela distância até a cidade. Até os anos 90, relatos de perdas por falta de atendimento eram frequentes. Hoje, com lanchas de resgate e Unidades Básicas de Saúde (UBS) fluviais, o cenário mudou, mas desafios persistem.

## Histórias de perda marcam o passado da região

Francisco Solivan Peres de Araújo, atual presidente da Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari (Amaru), perdeu a mãe quando tinha 2 anos. Ela faleceu durante o parto da irmã dele, no final da década de 80. "Deu uma hemorragia. Na época, não tinha possibilidade nenhuma de chegar na cidade", contou à reportagem.

Adriana da Silva e Silva, da comunidade de São José do Nachiqui, foi picada por uma cobra em janeiro de 2019. O resgate demorou mais de 24 horas. "Quando eu me desloquei da comunidade até a cidade, em razão das horas que eu passei, eu sofri muito devido ao veneno e não tinha soro. Aí minha perna inchou muito, ficou irreconhecível. Para não perder a perna, eles tiveram que fazer quatro cirurgias", relatou. Hoje, ela tem sequelas: perde o tato da perna e tem dificuldade para esticar e encolher o membro.

Raimundo Viana da Cunha, colaborador do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), perdeu o irmão em 1994. "A gente não tinha apoio de governo e das organizações de base. O meu irmão esperou uma semana doente sem ter nenhum barco passando", lembrou. A mãe dele conseguiu carona em um regatão, mas a prioridade era vender mercadorias. Após duas semanas, o irmão foi atendido, mas morreu.

## A extensão territorial de Carauari agrava o problema

Carauari tem mais de 25,7 mil quilômetros de área, um dos maiores municípios do Brasil. Banhado pelo Rio Juruá e cercado pela Floresta Amazônica, o trajeto da zona rural até a zona urbana pode levar horas ou dias, dependendo da embarcação e da situação do rio. Na seca, o percurso é ainda mais demorado.

A reportagem da Agência Brasil percorreu cerca de 35 horas de lancha expressa de Manaus até Carauari, depois mais quatro horas até a comunidade de Bauana e mais quatro horas até a região de Campina.

## Lanchas de resgate e UBS fluviais: as soluções atuais

Até os anos 90, a prefeitura instalou um sistema de lanchas de resgate para emergências. O serviço custa entre R$ 40 mil e R$ 45 mil mensais, segundo o secretário de saúde de Carauari, Manoel Brito. Há também UBS fluviais, que percorrem as comunidades, mas, pelo alto custo, isso ocorre de forma eventual.

"A prefeitura sozinha, com recursos próprios, não consegue [instalar unidades básicas de saúde pelas comunidades]. A arrecadação do município não comporta isso", disse o secretário. Carauari tem cerca de 28 mil habitantes, segundo o último censo do IBGE, e orçamento estimado em R$ 142 milhões para 2026.

## O desafio de levar saúde sem deslocar famílias

Para os ribeirinhos, estar mais próximo da cidade poderia significar melhor atendimento, mas afastaria as famílias do território e do trabalho tradicional de extrativismo e agricultura familiar. A RDS Uacari tem 633 km de extensão, 31 comunidades e mais de 409 famílias, que vivem do manejo do pirarucu sustentável, do látex da seringa, da andiroba, do açaí e da ucuba.

O ideal, defendem os moradores, seria a saúde mais próxima, sem deixar os territórios. O Ministério da Saúde reconheceu a importância de parcerias com organizações da sociedade civil para atender essas populações.

## Acesso à saúde: o que mudou e o que ainda falta

Com as lanchas de resgate, as mortes por falta de atendimento diminuíram, mas ainda há relatos de demora. "Eu imagino que, há 38 anos, quando a minha mãe faleceu, era difícil, muito difícil. Meu pai não tinha sequer uma rabetinha para que pudesse se deslocar. Não tinha possibilidade nenhuma de um resgate como tem hoje", disse Solivan.

A experiência dos ribeirinhos comprova que o acesso à saúde próximo reduz tragédias. No entanto, o orçamento reduzido de cidades pequenas como Carauari limita a instalação de postos fixos em todas as comunidades.

## Perguntas Frequentes

### Como funciona o resgate por lanchas em Carauari?

A prefeitura mantém lanchas de resgate para emergências, que custam entre R$ 40 mil e R$ 45 mil por mês. O serviço atende comunidades ribeirinhas, mas a distância ainda causa demora.

### O que são as UBS fluviais?

São Unidades Básicas de Saúde que percorrem os rios para atender comunidades. Em Carauari, ocorrem de forma eventual devido ao alto custo.

### Quantas pessoas vivem na RDS Uacari?

A reserva tem 31 comunidades e mais de 409 famílias, que vivem de extrativismo e agricultura familiar.

### Qual o tamanho de Carauari?

O município tem mais de 25,7 mil km², um dos maiores do Brasil, com cerca de 28 mil habitantes.

### O que o Ministério da Saúde faz pela região?

O ministério reconhece a importância de parcerias com organizações da sociedade civil para levar saúde a comunidades ribeirinhas.

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Fonte (canonical): https://metodofit30.com.br/prevencao/acesso-saude-reduz-historias-perdas-comunidade-amazonas/
