# Como cientistas "curaram" pacientes com HIV: 13 casos

> A pesquisa sobre o HIV registra 13 casos de remissão prolongada após transplante de células-tronco com a mutação CCR5 delta32. A mutação CCR5 delta32 bloqueia a entrada do vírus nas células, mas o procedimento é arriscado e não representa cura universal. A remissão observada nesses pacientes não elimina a necessidade de tratamentos convencionais para a maioria das pessoas vivendo com HIV.

*Método Fit 30 · Bem-estar · 31 de julho de 2026 · Henrique Pádua*

Cientistas anunciaram dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco. Saiba como a mutação CCR5 delta32 pode bloquear o vírus e o que ainda falta para falar em cura.

## Saiba como cientistas "curaram" pacientes infectados com HIV

Dois novos casos de remissão do HIV foram anunciados durante a 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro. Com isso, chega a 13 o número de pacientes infectados que não tiveram vírus detectado no sangue após transplante de células-tronco.

**Resposta direta:** Cientistas anunciaram dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco, elevando para 13 o total de pacientes sem vírus detectado. O transplante usa células com mutação CCR5 delta32, que impede a entrada do HIV nas células de defesa. Ainda não se fala em cura definitiva, mas em remissão.

## O que são os dois novos casos de remissão do HIV

Um dos casos é o "paciente de Kansas City", nos Estados Unidos. Aos 21 anos, ele descobriu que, além do HIV, sofria de leucemia mieloide aguda, um câncer que afeta a produção de células de defesa.

O outro é o "paciente de Essen", na Alemanha. Ele estava infectado por dois tipos diferentes de HIV e também pelo vírus da hepatite B (HBV).

Ambos passaram por transplante de células-tronco hematopoiéticas, aquelas que originam as células sanguíneas, incluindo os leucócitos, que defendem o corpo de invasores.

## Como o transplante de células-tronco bloqueia o HIV

O HIV só se torna ativo quando entra em uma célula. Seu alvo é o linfócito T CD4+, peça central do sistema imunológico. É matando essas células de defesa que o vírus causa dano ao organismo.

Para entrar na CD4+, o HIV se conecta a moléculas na membrana externa: o receptor CD4 e os correceptores CCR5 e CXCR4. Ao se conectar, o vírus abre uma "porta" e inicia a replicação.

Nos doadores, os genes produzem uma versão modificada do correceptor CCR5, chamada CCR5 delta32, que impede a ligação do vírus. Sem conseguir entrar na CD4+, o HIV não mantém a infecção.

Com o transplante, o paciente ganha células hematopoiéticas com o gene produtor de CCR5 delta32. As novas gerações de CD4+ tornam-se potencialmente resistentes ao HIV.

## O que aconteceu após a interrupção dos antirretrovirais

Nos dois casos, a terapia com antirretrovirais foi interrompida para avaliar a resposta ao transplante. Mesmo após vários meses, os pesquisadores não detectaram o vírus no organismo.

No paciente de Kansas City, passaram-se 14 meses sem vírus detectado. No de Essen, foram 12 meses. Porém, houve uma recidiva do vírus da hepatite B.

A pesquisadora Carina Elsner, responsável pelo estudo com o paciente de Essen, explica: "A mutação em homozigose [quando pai e mãe transferem o gene CCR5 delta 32 para o filho] está presente em cerca de 10% dos europeus do norte, sendo, infelizmente, muito rara. A questão principal é se a presença da mutação CCR5 delta 32 é realmente a chave para se alcançar uma remissão de longo prazo do HIV".

## Por que falamos em remissão e não em cura

Apesar do caso ser tratado como "cura", o correto é dizer remissão. Não é possível afirmar se a infecção retornará depois de algum tempo.

Wissam El Atrouni, um dos responsáveis pela pesquisa com o paciente de Kansas City, reforça: "É apenas o caso de um paciente, mas que se soma à lista de pacientes que se recuperaram após o transplante de células-tronco. É necessário acompanhamento contínuo. Agora, passaremos a realizar testes mensais".

## O histórico do primeiro paciente considerado curado

O primeiro paciente a ser considerado curado do HIV foi Timothy Ray Brown, o "paciente de Berlim". Ele recebeu o transplante em 2007 e viveu livre do HIV até 2020, quando morreu de leucemia, a doença que motivou o procedimento.

Para quem acompanha a evolução da pesquisa, o avanço é real, mas exige cautela. A remissão de longo prazo ainda depende de acompanhamento contínuo e de mais estudos sobre a mutação CCR5 delta32. transplante de medula óssea tratamentos para HIV

## Perguntas Frequentes

### O que significa remissão do HIV?

Remissão significa que o vírus não é detectado no sangue após a interrupção dos antirretrovirais. Não é possível afirmar que a infecção não voltará.

### Quantos pacientes tiveram remissão do HIV?

Até agora, são 13 pacientes infectados com HIV que não tiveram vírus detectado após transplante de células-tronco.

### O que é a mutação CCR5 delta32?

É uma versão modificada do correceptor CCR5 que impede a ligação do HIV com a célula CD4+. Ela está presente em cerca de 10% dos europeus do norte.

### O transplante de células-tronco é uma cura para o HIV?

Ainda não. Os especialistas preferem falar em remissão, pois não há garantia de que a infecção não retorne. O acompanhamento contínuo é essencial.

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Fonte (canonical): https://metodofit30.com.br/bem-estar/saiba-como-cientistas-curaram-pacientes-infectados-hiv-19/
